terça-feira, 16 de junho de 2026

A Ilusão do Jogo Limpo: Por Que o Governo Não Vai Acabar com as Bets no Brasil

O Brasil vive uma epidemia silenciosa, mas cujo barulho se reflete no estrondo das finanças domésticas. Em cada intervalo de jogo, em cada tela de celular e nos patrocínios de praticamente todos os grandes clubes de futebol do país, as apostas esportivas — popularmente conhecidas como bets — fincaram suas bandeiras. Diante do endividamento crescente das famílias e dos alertas de psicólogos sobre o vício em jogos, surge a pergunta inevitável: por que o governo simplesmente não proíbe esse mercado? A resposta é pragmática, incômoda e puramente matemática: o Estado fatura alto demais para querer fechar a banca.

​Para entender como chegamos até aqui, é preciso olhar para o retrovisor legislativo. O mercado de apostas de quota fixa não nasceu ontem; ele foi legalizado em 2018, nos suspiros finais do governo de Michel Temer, por meio da Lei nº 13.756. O texto original previa um prazo de até quatro anos para que o setor fosse regulamentado e fiscalizado. No entanto, a gestão de Jair Bolsonaro deixou esse prazo expirar sem estabelecer as regras do jogo. O resultado foi um hiato de cinco anos em que o dinheiro dos apostadores brasileiros escoava para sedes em paraísos fiscais, sem que um único centavo de imposto ficasse no país.

​A virada de chave econômica aconteceu na virada de 2023 para 2024, quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 14.790. Longe de ser um movimento de incentivo moral ao jogo, a medida foi um abraço de conveniência fiscal. Ao criar a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), exigir sedes físicas no Brasil e estipular outorgas milionárias para o funcionamento das empresas, o governo transformou o problema social em uma robusta máquina de arrecadação.

​Os números justificam o pragmatismo de Brasília. Além do valor bilionário cobrado apenas pelas licenças de operação, o Estado agora morde uma fatia direta das empresas e dos prêmios dos apostadores. Em tempos de déficit fiscal e busca incessante por novas fontes de receita para fechar o orçamento federal, abrir mão do imposto sobre as bets seria um suicídio político-econômico. O setor privado de apostas tornou-se um "sócio" involuntário e altamente lucrativo do Tesouro Nacional.

​Existe, portanto, uma contradição velada no discurso oficial. De um lado, o Ministério da Saúde e órgãos de defesa do consumidor acendem o alerta para o impacto psicossocial das apostas na população de baixa renda. Do outro, a equipe econômica celebra as projeções de arrecadação que ajudam a equilibrar as contas públicas. É o clássico dilema de criar a receita para o remédio enquanto se lucra com a venda do veneno.

​As bets vieram para ficar no Brasil não porque são um símbolo de entretenimento inofensivo, mas porque se tornaram indispensáveis para o caixa do governo. Esperar que o Estado acabe com o mercado de apostas por pura benevolência social é ignorar como funciona a engrenagem do poder. A regulamentação recente foi o passo definitivo para oficializar esse casamento de interesses. No grande cassino em que se transformou a economia brasileira, o cidadão pode até perder aposta após aposta, mas o governo sempre ganha.



Escritora, jornalista e filósofa por formação, Giovana Schneider faz da escrita o seu meio de registrar o mundo: “Escrevendo, afasto os meus fantasmas”, declara. Residente em Marechal Floriano, atua ativamente no cenário cultural como sócia-fundadora da Academia Florianense de História, Artes e Letras (AFHAL). Além disso, quebra barreiras geográficas como sócia correspondente do Centro de Escritores Lourencianos (CEL/RS). Desde 2010, ela mantém ativo o seu blog “Cada um de nós compõe a sua história”.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Flagrante de Paz na Madrugada

Na madrugada em Marechal Floriano/ES, uma cena pacífica e, ao mesmo tempo, um privilégio de se presenciar, bem ali nas margens da BR-262. Tem uma poesia visual muito própria. Quando a maioria das pessoas está dormindo, elas saem para se alimentar, e até talvez, interagir. Aparentemente nem estavam sentindo a nossa presença.
Enquanto a rodovia costuma ser sinônimo de pressa, velocidade e asfalto, o tempo pareceu parar por alguns instantes para que pudessemos observar a calmaria delas sob o manto da noite.

​É um lembrete sutil de que a natureza local resiste e mantém sua própria rotina.



As capivaras não são naturalmente agressivas, mas são animais silvestres e imprevisíveis. Elas podem atacar e desferir mordidas severas se sentirem que seu espaço foi invadido, ao protegerem filhotes, ou se forem acuadas e estressadas por humanos e cães.
Apesar da aparência calma e sociável, a aproximação de animais silvestres como a capivara exige cuidados fundamentais:
Distância e Respeito: Nunca tente acariciar, alimentar ou forçar uma interação. O estresse gerado pela aproximação humana pode desencadear uma reação de defesa.

A regra de ouro é sempre observar a distância e respeitar o habitat natural desses animais, garantindo a segurança tanto das pessoas quanto da fauna.

🦠 Alertas de Saúde
Febre Maculosa: Capivaras são as principais hospedeiras do carrapato-estrela, vetor da bactéria que transmite a febre maculosa, uma doença grave para os humanos.


Escritora, jornalista e filósofa por formação, Giovana Schneider faz da escrita o seu meio de registrar o mundo: “Escrevendo, afasto os meus fantasmas”, declara. Residente em Marechal Floriano, atua ativamente no cenário cultural como sócia-fundadora da Academia Florianense de História, Artes e Letras (AFHAL). Além disso, quebra barreiras geográficas como sócia correspondente do Centro de Escritores Lourencianos (CEL/RS). Desde 2010, ela mantém ativo o seu blog “Cada um de nós compõe a sua história”.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cachaça Capixaba "Mais Uma" Faz História com Recorde de Medalhas no Concurso New Spirits 2026



A cachaçaria artesanal Mais Uma, produzida pela agroindústria familiar Schunk no distrito de Paraju, em Domingos Martins (ES), consolidou-se como um dos grandes nomes dos destilados no Brasil. No Concurso New Spirits 2026, a marca conquistou um feito inédito: garantiu cinco medalhas (três de ouro e duas de mérito sensorial), tornando-se a única cachaça do país a atingir essa marca na atual edição do evento.



Destaques da Premiação em 2026:

Medalhas de Ouro (Categoria Madeiras): Conquistadas pelos rótulos Mais Uma Amburana, Mais Uma Castanha do Pará e Mais Uma Premium Carvalho Americano, todos avaliados com excelência pelo processo de envelhecimento.

Mérito Sensorial: Entregue aos rótulos Mais Uma Bálsamo e Mais Uma Cana Caiana.

Histórico de Crescimento: Este é o terceiro ano consecutivo em que a marca é premiada. A trajetória de sucesso inclui medalhas nacionais e internacionais em 2024 (com ouro em Bruxelas) e em 2025 (com três prêmios nacionais e dois bronzes internacionais), mostrando uma evolução constante.

Tradição, Tecnologia e Sustentabilidade: Fundada em 1982 por Deuclério José Schunk, a empresa hoje é administrada por Camila e Clóvis Luiz Schunk. Clóvis uniu a tradição do pai à especialização técnica para refinar a produção. A fábrica combina processos modernos — como o uso de alambiques de cobre e controle rigoroso de fermentação — com práticas sustentáveis. Todo o bagaço da cana é reaproveitado (na caldeira, adubo e trato de animais) e o vinhoto é utilizado como fertilizante orgânico.

Impacto Regional: Para os produtores, o reconhecimento prova o potencial competitivo do Espírito Santo no cenário nacional. Além de projetar a marca para além das fronteiras estaduais e internacionais, a conquista impulsiona diretamente o turismo rural e gastronômico da região de Domingos Martins.


Do Cinema à Realidade: Nossa Surpreendente Visita ao Alambique Mais Uma

Tivemos o privilégio de conhecer o Alambique Mais Uma de perto e, confessamos, a surpresa foi total. No nosso imaginário — alimentado por cenas de filmes —, um alambique tradicional era um lugar rústico, quase improvisado, onde não seria estranho até trombar com um gambá pelo caminho.

A realidade que encontramos em Paraju/DM foi o oposto: um espaço impecavelmente limpo, moderno, organizado e salubre.

Fomos calorosamente recebidas pelos administradores, Camila e Clóvis. Com uma simpatia ímpar, o Clóvis fez questão de nos guiar por toda a estrutura, explicando detalhadamente cada etapa do processo necessário para se produzir uma cachaça de excelência. Foi uma verdadeira aula e um aprendizado memorável.

O que mais nos impressionou foi a visão deles: Camila e Clóvis não querem apenas vender uma bebida; eles querem que as pessoas compreendam e valorizem o verdadeiro potencial e a sofisticação da cachaça artesanal.

É um lugar fascinante, cheio de história e inovação, que vale a pena conhecer de perto!

Agora você encontra essa cachaça no ButekoDa Nilza, que está localizado em Santa Cecília, Cariacica/ES. 


Giovana Schneider 

Escritora, jornalista e filósofa por formação, Giovana Schneider faz da escrita o seu meio de registrar o mundo: “Escrevendo, afasto os meus fantasmas”, declara. Residente em Marechal Floriano, atua ativamente no cenário cultural como sócia-fundadora da Academia Florianense de História, Artes e Letras (AFHAL). Além disso, quebra barreiras geográficas como sócia correspondente do Centro de Escritores Lourencianos (CEL/RS). Desde 2010, ela mantém ativo o seu blog “Cada um de nós compõe a sua história”.

O Brilho dos Bilhões e a Sombra do Descaso: O Que Sobrou da Copa para o Brasileiro?

  A Copa do Mundo chegou ao fim para a Seleção Brasileira, deixando um rastro que vai muito além da eliminação em campo. O sentimento que ec...