quinta-feira, 14 de maio de 2026

O Grito Silencioso das Máscaras: A Resistência de Roda D'água e o Legado de João Bananeira

 

Por Giovana Schneider

No calendário oficial do Espírito Santo, a segunda-feira que sucede a oitava de Páscoa é reservada à celebração de Nossa Senhora da Penha. Enquanto milhares de fiéis sobem as ladeiras de pedra do Convento em Vila Velha, um fenômeno singular e profundo acontece na zona rural de Cariacica. Em Roda D’água, o sagrado e o profano se encontram no Carnaval de Congo de Máscaras, uma manifestação que prova que a cultura popular é, antes de tudo, uma ferramenta de sobrevivência.

A Fé que Rompeu Grades

A gênese desta festa remonta a mais de um século, em um Brasil onde a fé era permitida, mas o acesso aos seus altares era seletivo. Impedidos de participar das festividades oficiais da padroeira devido à cor de sua pele e sua condição social, os negros escravizados e libertos da região de Roda D’água não aceitaram o silêncio. Se não podiam ir ao Convento, a santa viria até eles — através do som dos tambores e da cadência das ¹casacas.



O que hoje chamamos de "Carnaval de Máscaras" nasceu como uma estratégia de segurança. Para celebrar sem serem identificados e punidos pelos seus senhores, os brincantes ocultavam seus rostos. O anonimato era a fronteira entre a liberdade de cultuar seus ancestrais e o risco da retaliação.

A Poética de João Bananeira

No centro dessa tradição surge a figura enigmática de João Bananeira. Diz a lenda que um homem, decidido a participar da festa sem ser reconhecido, cobriu-se inteiramente com folhas secas de bananeira e uma máscara de papel machê. Ele não era mais um indivíduo; ele era a própria natureza, o mistério e a coletividade.



O João Bananeira é a síntese da criatividade brasileira: transformar o descarte da terra (a palha seca) e o papel moldado em um ícone de resistência. Até hoje, a tradição exige que o folião não revele sua identidade. Sob a máscara, o mestre de congo e o jovem aprendiz tornam-se iguais, unidos pelo ritmo que ecoa nas montanhas de Cariacica.

Sincretismo e Identidade

O evento é um exemplo vivo de sincretismo. A procissão, que começa com uma missa regada a cânticos de congo, deságua em uma explosão de cores e sons. Há uma conexão espiritual profunda: os moradores locais sustentam que, no dia de Roda D’água, a chuva sempre cai. Para eles, não é um inconveniente meteorológico, mas o "banho de Nossa Senhora", uma benção que purifica a terra e os foliões.

As bandas de congo, com seus tambores feitos de troncos e suas ¹casacas esculpidas, ditam o pulso do dia. É uma música que não se ouve apenas com os ouvidos, mas com os pés, que batem no chão reafirmando a posse daquele território.

Um Patrimônio que Resiste

Reconhecido como Patrimônio Imaterial de Cariacica, o Carnaval de Máscaras de Roda D’água é mais do que um evento turístico; é um documento histórico vivo. Ele nos lembra que a cultura capixaba é feita de camadas, de lutas silenciosas e de belezas que nasceram da necessidade de dizer: "Nós estamos aqui".



Preservar essa festa é garantir que a história de João Bananeira continue a ser contada — não como um conto de fadas, mas como a prova de que a liberdade, quando impedida de caminhar a descoberto, encontra nas máscaras e na palha o seu caminho para a luz.




¹ Casaca: Instrumento de percussão idiofone típico do Espírito Santo, feito de madeira com uma cabeça esculpida e uma "costela" de bambu riscadora. Essencial nas bandas de Congo capixaba, representa a resistência afro-indígena.


quarta-feira, 23 de julho de 2025

Prosa Florianense - XIII

 DARLY LITTIG 



Aqui, compartilho algumas informações que seu irmão Jair Littig me passou sobre sua trajetória:

Darly, nasceu em 11 de dezembro de 1941,em Marechal Floriano, filho de Guilherme Eduardo Littig (Willy) e Carlota Joana Hülle.

Estudou até o 4º ano primário. Mesmo com pouco estudo, sempre leu muito, principalmente assunto de futebol.

No final dos anos cinquenta, as revistinha chamadas na época de Gibi, sendo seus preferidos: Durango Kid, Fantasma. Tarzan, Kit Carson. Marechal tinha muitos jovens que colecionam, entre eles, Ormindo Pinto, Helvécio Fernandes Pereira, Darly Schneider.  

Trabalhou com nosso pai no comércio até 1962. Em 1964, através do professor Edgard Carvalho Neves, vendia jornais do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil e Correio da Manhã). O os jornais vinham pelo correio, via trem noturno. Embora com atraso, a procura era grande.

Em 1962, Avides Targueta de Campinho, passou o controle do cinema o nosso pai. Darly operou as máquinas até 1966. 

Gostava de música antiga. Apaixonado pelo Vasco da Gama. Sua última conversa no hospital, foi do Vasco. Adorava viajar, principalmente para o Paraguai. Viveu muitos  anos do jogo de bicho. Em dezembro do ano passado, teve um AVC. Onde descobriu um câncer avançado. Em fevereiro veio comigo para São Luis, mas infelizmente, faleceu no dia 07/07/2025.



Darly com 08 meses de vida, no colo de sua mãe. A esquerda em pé sua tia Alida e Clara. A direita sua irmã, do primeiro casamento, Selma.







Aspirante do América, 1961. Da esquerda para direita: Etiel Paiva, Aristeu Braga, Wilson Hülle, Darly Littig, Jair Borgo e João do Parque. Agachados. Aldeir Nascimento, Benedito do D.N.E.R, Nelson Merísio, Juca Machado e Honorato.



Darly Littig era uma pessoa bastante reservada, mas sempre que passava pelo lugar onde fazia seu jogo, ele me cumprimentava. Às vezes, até parava para conversar um pouco, falando de acontecimentos do passado de Marechal Floriano. Uma vez, ele comentou sobre Belarmino Pinto, e ficamos horas conversando. Com uma presença que parecia ter saido de um livro de Fiódor Dostoiévski caminhando pelas páginas da vida real em um ritimo próprio, especialmente, com o sobretudo que usava nos dias mais frios de Marechal, parecia ter absorvido a melancolia de invernos passados. Ele foi uma pessoa íntegra, culta e com profundo conhecimento da história de Marechal Floriano. A partida de indivíduos assim representa uma perda significativa para a comunidade, pois são eles que muitas vezes guardam e transmitem a memória e a identidade de um lugar.

Então, um dia tudo acaba, 

A frágil vida se esvai, 

E não faremos mais parte deste plano,  

Daqui, somos Passageiros,

Passageiros do tudo,

Passageiros do nada,

Apenas, Passageiros. 




sábado, 12 de abril de 2025

Política Braço do Sul Marechal Floriano Part.: IV / VII

                                                                 Eleição  de 1966

Foi a primeira no período militar. Haviam dois partidos (ARENA – Aliança Renovadora Nacional, que era ala militar) (MDB – Movimento Democrático Nacional, partido da esquerda). Arena tinha 1 e 2. A eleição ocorreu em 15 de novembro. Com resultado  foi eleito prefeito o sr. Joaquim Tesch com 3.141 votos. Hilton Ezequiel Ronchi obteve 1864 votos.  Nesta eleição Floriano Kiefer candidato pelo partido ARENA 1,foi o vereador mais votado, com 576 votos. Esperava que fosse o presidente da câmara, mas não conseguiu. Floriano foi um vereador que tentou organizar Marechal Floriano. Não tínhamos regras para construções de casas. Melhorou o sistema de abastecimento de água , do atual Bairro Jarbinhas. Foi um dos criadores da festa do chuchu.  Al lado parte da ata da posse de Floriano Kiefer, onde presta juramento. Após discurso foi realizada votação secreta para presidente da câmara, sendo o vereador Moacyr da Silva Vargas, eleito com 09 votos e Floriano como vice, também com 09 votos. Ata  original pertence a Biblioteca Nacional - RJ. Abaixo Registro do Ministério da Justiça de Brasília, onde o vereador João Mario Pitanga denunciou uma obra no distrito de Marechal Floriano, realizado pelo prefeito da época Joaquim Tesch. Evidências – SIAN – Arquivo nacional - RJ 


                    Eleição  de 1970

Waldemiro Alberto Hülle da ARENA foi eleito com 5.252 votos, sendo seu vice Moacyr da Silva Vargas. Amador Endlich vereador pelo distrito de Marechal Floriano, foi o mais votado. Porém na votação secreta ganhou João Mario Pitanga com sete votos e Amador como vice, também com a mesma pontuação. Waldemiro renunciou o mandato, após dois anos , sendo seu vice assumindo o cargo. Amador trabalhou muito pelo desenvolvimento de Marechal Floriano, principalmente no aspecto sanitário. Porém pouco conseguiu, já que as prioridades, eram para outros distritos. Al lado parte da ata da posse Amador Endlich, onde presta juramento. Após discurso foi realizada votação secreta para presidente da câmara, sendo o vereador João Mario Pitanga Pinto , eleito com 07 votos e Amador  como vice, também com 07 votos. Ata  original pertence a Biblioteca Nacional - RJ. 
Abaixo primeiro título tirado em 01/12/1968. Votei pela primeira vez em  1970, sendo Josely Pereira presidente, na 15ª Zona de Marechal Floriano- ES.


                      Eleição  de 1972

Joaquim Tesch foi eleito pelo partido ARENA, sendo vice Elias Paganini. Marechal mais uma vez elegeu um vereador, Mauro José Christo, também pela ARENA, com 421 votos. Fez muito pouco por Marechal, já que foi uma eleição  drástica, o prefeito eleito abandonou. O vice também não tinha simpatia pelo lugar. A  esquerda resultado da eleição – Memoria do TSE – ES. 

       Eleição  de 1974
 
Em junho deste mesmo ano fui ao Fórum de Campinho resolver um problema. Lá encontrei o Juiz na época William Fernando Boato, que foi meu professor no ginasial. Perguntou se queria ser mesário na eleição de outubro. Aceitei. Era sábado, um dia antes da eleição, fui para Campinho, onde houve uma reunião de como seria nosso trabalho.  Presidente da seção era Nicanor Mattos. Após a reunião recebi um envelope com nomes dos eleitores, cédulas, papel de atas, urna e um lacre. Fiquei abismado com tudo que tinha em mãos. A cédulas eram sem timbres, somente com tarja preta, fácil de ser reproduzidas. A maioria das fichas dos votantes, já tinham falecidos, como José Henrique Pereira, Vitto Travaglia, meu pai, Antonio Nalesso. No local da votação haviam fiscais de partidos, que faziam boca de urna na maior tranquilidade. Perguntei ao presidente , isto pode, ele respondeu-me “fecha os olhos”. Quando terminava a votação, a urna era lacrada. O presidente e o mesário, através de uma corona levava a urna para Campinho. Neste eleição foi para Senadores, deputados estaduais e federais. Camata foi eleito como senador com, o resultado das apurações no município foi: 5027 votaram na ARENA, 756 MDB, 1553 em branco, 511 nulos, num total de 7827 pessoas compareceram nas urnas. O município tinha 9019 eleitores. Fonte TSE – ES. Al lado Cédula de votação de eleição de 1947, frente e verso. Em 1974 ainda era o mesmo formato. Acervo TSE-ES. 

                    Eleição  de 1976

Fui mesário. Foi a eleição mais concorrida. De um lado pela Arena 2 Elias Paganini sendo seu vice Moacyr Silva Vargas. Dr. Cesar Puppin e Ary Ribeiro da Silva- MDB. Foi a eleição mais turbulenta, de um lado um candidato que tinha o prefeito atual ao seu lado. Do outro lado um médico e um farmacêutico bem conhecidos da região. No início a oligarquia martinense ficou espantada. Fizeram de tudo e ganharam. 5458 votos contra 2771. Anos mais tardes conversando com Ary, onde relatou que teve de tudo. Nesta eleição  José Gonçalves dos Santos, seu Maroto foi o vereador mais votado. Não foi presidente da câmara. Segundo Maroto passou quatro anos, tudo que apresentava, nada saia do papel. Fez discursos na câmara, sem ter uma alma escutando. Abandonou a política. Lucas Stein foi o presidente. Quando saiu o resultado, onde Elias  confirmou eleito, uma grande carreata de Campinho, partiu para Marechal, tomando conta da cidade. Esta carreata foi o combustível que faltava para iniciar o processo de emancipação do atual município de Marechal Floriano. A esquerda resultado da eleição de 1976- TER/ES.

                                 Eleição de 1982

Foi a última eleição que votei no Espírito Santo. Marechal Elegei três vereadores, Elias Kiefer, Mauro José Christ e Eliziário Ferreira.  Eliziário Ferreira Filho foi presidente da câmara entre 1985 e 1986. Foi a última eleição que votei no Espírito Santo. Marechal Elegei três vereadores, Elias Kiefer, Mauro José Christ e Eliziário Ferreira. Eliziário Ferreira Filho foi presidente da câmara entre 1985 e 1986.

Eleição de 1988

Neste mandato Elias Kiefer foi presidente da câmara. Foi  a última eleição para prefeito onde o distrito de Marechal participou.


       Emancipação

Antes de contar a história da emancipação de Marechal Floriano, precisamos  falar de um senhor chamado Edgard de Carvalho  Neves. Formado em bacharel em Farmácia. Em 1928 mudou-se para Vitoria onde foi professor muitos aos no colégio Normal, funcionário do Estado como  microbiologista  e Higiene . Aposentou no Rio de Janeiro na Fundação Oswaldo Cruz. Jornalista e escritor. Mudou-se para Marechal Floriano em 1961. Sua esposa tinha duas irmãs , Adélia casada com Evhy Mendes e Maria com Policarpo Puppin.
Fazia palestras incentivando as pessoas a não criarem animais presos dentro da vila, como porcos e galinhas. Higienizar os locais onde vendias carnes  de animais abatidos. Usar sistema de tratamento do esgoto. Ter mais cuidados com córregos que rodeavam a vila. Tinha uma grande paixão pelas corredeiras do Rio Braço do Sul .Dizia que a vila de Marechal estava num local estratégico. Quando construir a rodovia, será um local de grandes movimentos. Segundo ele, onde há muito movimento, haverá  grandes transformações.
 Nas suas palestras não cansava de dizer “ antes da virado do século, Marechal vai tornar-se município”. Muitos  conheciam com um louco de cabeça branca. Foi um dos responsáveis pela criação da Associação Pró- Desenvolvimento Urbano e Rural  do Distrito de  Marechal . Abaixo De paletó branco e gravata preta, Edgard Ao seu lado o Diretor dos Correios. Praça Jose Henrique Pereira Marechal Floriano – dezembro/1964. Foto acervo Jair Littig.
 

Conforme pesquisas do Instituto Jones Santos Neves de 1985, o distrito de Marechal Floriano apresentava características  de desenvolvimento populacional. Documento em anexo. POPULACIONAIS PARA CIDADES, VILAS EPOVOADOS DO ESPÍRITO  SANTO 1985 - 2010 - I PROJEÇÕES DEMOGRAFICAS _REDE URBANA CARACTERIZAÇAO DO ESPAÇO VOLUME I INSTITUTO JONES DOS SANTOS NEVES.


Abaixo Processo de nº 2.334, onde o Presidente da Assembleia Legislativa Alcino Santos autoriza plebiscito a população dos distritos de Marechal Floriano e Araguaia, no município de Domingos Martins. Jornal A Tribuna de 09/10/1991; Fonte: Assembleia Legislativa do Espírito Santo.



Em 15 de março de 1991, foi eleito governador Albuino Azevedo, que esteve do lado do povo florianense. Sanciona a lei que cria o município de Marechal Floriano. Fonte: Biblioteca IBGE.


Resultado da apuração da primeira eleição no munícipio de Marechal Floriano em 03/09/1992. Em vermelhos candidatos eleitos. Fonte: TSE - ES.



              Continua [ ... ]


quarta-feira, 19 de março de 2025

Política Braço do Sul Marechal Floriano Part.: III / VII


 Histórias de Políticos

Em 1948, teve uma partida de futebol entre  o Marechal Floriano  Futebol Clube e Sport Clube Campinho. Jogo realizado em Marechal. Neste dia o jogo não terminou, foi uma pancadaria total. A briga era mais politica do que futebolística. O açougueiro João Barreto, cabo eleitoral, tinha desavenças com o Dr. Arthur Gerhardt. Aproveitou o ensejo, foi o que mais bateu. Esta briga não foi nada bom para  Marechal. Em 1951, Dr. Arthur ganha a eleição para prefeito, onde nada fez pela vila. José Henrique Pereira era dono do terreno do campo. Amigo íntimo do médico. No dia seguinte da briga, arreou seu cavalo, e foi para Campinho pedir desculpas ao velho amigo. Na volta mandou fechar o campo. Somente em 1956 , que o local voltou ser campo de futebol.

   Arlindo Pereira
 O grande goleiro do antigo Marechal Floriano. Nasceu em 13 de maio de 1922, em Costa Pereira, filho de João Pereira dos Passos e Floripes Nascimento. Esteve naquele famoso jogo  em 1948, contra o Campinho. Relata que a briga começou ente Ricardo Koehler  em um jogador amigo do João  Barreto, que residia na praia do Suá, em Vitória. Entrevista em Marechal Floriano. 20/07/2015.


        Eleição de 1955

Foi eleito Paulo Lorenzoni para prefeito. Não tivemos vereadores eleito. Mas foi no seu mandato que a vila de Marechal Floriano teve grandes obras. Uma delas era o sistema de abastecimento de água. Tínhamos somente uma caixa de pequeno porte, situada num terreno da família Pereira, na atual rua Emílio Endlich. Eram poucas residências que tinham água encanada. Usava-se muito água do rio Braço do Sul e o córrego Batatal. Para beber, a vila tinha inúmeras nascentes, inclusive dentro da vila. O encanamento além de velho, era de pequena polegada. Uma parte do encanamento ficava ao lado do rio. Quando tínhamos enchente, era uma falta d'água tremenda. Na ocasião o bombeiro da prefeitura era José Henrique Pereira ( José Piaba). Vivia dentro do rio consertando cano. Foram colocados canos de maior polegada nas principais ruas. Foi construída uma nova caixa d'água, numa nascente pertencente ao Sr. Waldemar Mees. No final do seu mandato construiu um local para venda de carnes abatidas, situado ao lado da Serraria Santana. Este açougue funcionou até os anos setenta. Na inauguração deste açougue, a prefeitura proporcionou uma grande festa  com  churrasco e bebidas. O primeiro açougueiro deste local foi Ormindo Endlich. TER – ES – Jair Littig. 

                           Eleição de 1958

O prefeito na época era  o  Paulo Lorenzoni. Em três de outubro houve eleição, sendo eleito Francisco Santos Silva (Chiquinho). Marechal  elegeu seu vereador.  José Moreira Bourguignon. Além do Moreira ainda tínhamos Alcino De nadai, o Tato que teve poucos votos. Seu partido era União Democrática Nacional (UDN). Moreira era fiscal de renda. Trabalhou muito pela vila. Construiu uma ponte de cimento no início da rua da igreja. Foi no seu mandato  que houve a implantação de energia e água encanada para a antiga rua do cemitério.  Melhorou a iluminação pública. Além de ter boa  atuação, Moreira era um homem bastante corajoso.  Nos momentos mais difíceis  de segurança na vila, sempre esteve ao lado da justiça. Em 1960 foi o primeiro a construir casa na Vila da orquídeas.  Natural de Guarapari, casado com Apolônia Santa Clara. Acervo Jair Littig.

                           Cabo Eleitoral

Celso Stein, em 1950 com ajuda do patrão alugou  na Vila um pequeno comércio que pertencia a João Kuster. Ao chegar em Marechal percebeu que todos os comerciantes eram antigetulista, inclusive ele.  Mas  quem tinha condições de comprar eram os ferroviários  e empregados do  estado e federal, e esses eram getulistas.  Celso era UDN,  já que seu antigo patrão pertencia a União Democrática Nacional. Foi para o PTB , partido do Getúlio. Seu comércio prosperou contendo uma grande variação de mercadorias.  Na época usava-se muito faixas pintas. Foto de 1958 do seu comércio, ao lado de uma caminhonete  do Helmuthe  Kuster  e seus dois filhos gêmeos Paulo e Mauro. Na frente do  comércio acima das portas tem uma propaganda política da eleição de 1958, do Carlos Lindenberg, que  venceu a eleição para governador, partido do PSD. Acervo Jair Littig. Na imagem abaixo Título de Eleitor que pertenceu a Guilherme Eduardo Littig, mais conhecido como Willy. Acervo Jair Littig.


                           Voto Feminino

As mulheres brasileiras conquistaram o direito de votar em 24 de fevereiro de 1932, por meio do Decreto 21.076, do então presidente Getúlio Vargas. Não podiam ser analfabetas. Somente dois anos depois, em 1934, quando da inauguração de um novo Estado Democrático de Direito, por meio da segunda Constituição da República, esses direitos políticos conferidos às mulheres foram assentados em bases constitucionais. No entanto, a nova Constituição restringiu a votação feminina às mulheres que exerciam função pública remunerada. O voto secreto garantia o livre exercício desse direito pelas mulheres: elas não precisariam prestar contas sobre seu voto aos maridos e pais. No entanto, somente as mulheres que trabalhavam (aquelas que recebiam alguma remuneração) eram obrigadas a votar. Isso só mudou em 1965, com a edição do Código Eleitoral que vigora até os dias de hoje. Em Marechal Floriano podemos destacar Fernandina Gianordoli, nascida em Vitória no dia 18 de outubro de 1917, filho de Ferdinando Gianordoli e Thereza Jantorno. A família Gianordoli chegou no Espírito Santo em 01/02/1879, natural da região do Trento, na época pertencia a Áustria. Criada pela sua tia Vitoria Jantorno, em 1937 formou-se  como normalista na escola  Pedro II. Seus primeiros empregos com professora foi em São Gabriel da Palha de São José dos Calçados. Em 1940 veio para o município de Domingos Martins, em Bom Jesus. Casou com o mecânico hidráulico  Elisiário Ferreira, natural de Cachoeiro do Itapemirim, filho de Augusto e Emília Ferreira. Elisiário faleceu em Costa Pereira em no dia 16 de janeiro de 1948. Em 06 de fevereiro de 1951,  casou no oratório particular  de Gustavo Wernersbach, com Wilson Stein nascido 09 de janeiro de 1932, filho de Antenor e Adelina Maria Salles.  Fernandina veio para a vila de Marechal em 1954, como professora. Segundo informações do seu irmão Orlando, Fernandina participou de manifestos políticos em Vitória. Era uma getulista de coração. Foi uma das primeiras eleitoras da vila de Marechal Floriano. Junto com Emílio Gustavo Hülle, fazia campanha politica. Participou da Primeira Diretoria da Associação Pro- Desenvolvimento Urbano e Rural do Distrito de Marechal Floriano - 1964  como secretaria. Faleceu em 29/08/1997. APEES – Jair Littig.
 
No período de eleição, na vila de Marechal Floriano apareciam políticos de todos os lados. Um deles José parente Frota, um cearense que começou sua vida como chefe de polícia, chegando a deputado federal pelo Espírito Santo. A partir dos anos sessenta  começou a visitar a vila. Seu cabo eleitoral era Emílio Gustavo Hülle. Angariou  algumas verbas para a vila. Em suas passagens políticas, vinha a Marechal sempre com presente, sendo o América Futebol Clube, o mais privilegiado. Era uma bola, um jogo de meio e camisas. Porém havia um detalhe, a cor não combinava com o time. Sempre era verde. Naquela ocasião tudo era muito difícil para os times de futebol, o verde era bem aceito pelos alvirrubros. Acervo Jair Littig. Na foto abaixo Aspirante do América dos anos sessenta, um time imbatível.  Da esquerda para direita em pé;  Hermilo , Deir, Marreco, Ramiro, Tega e  Edvaldo. Agachados Aloísio, José Luis, Pedrinho, José Mococa e José Piaba. A camisa era verde e branca doada pelo Frota. Foto acervo Jair Littig.


Foto de uma procissão  religiosa em Marechal Floriano (1952). No fundo, um antigo barracão pertencente a família Pereira, onde podemos ver propaganda política na parede. UDN ( União Democrática Nacional). Era do Paulo Lorenzoni, amigo e compadre do Coronel José Henrique Pereira. Foto acervo Igreja católica ade Marechal Floriano.


Em 1959 Evhy Mendes, um senhor aposentado vem residir na Vila de Marechal Floriano. Era casado com Adélia Vello, irmã da esposa do Policarpo Puppin. Comprou  a casa do Antenor Braga. Evhy foi comerciante e juiz de paz por muitos anos em Mascarenhas, norte do Espirito Santo.  Evhy certo dia em reunião com seus familiares  onde estavam  Edgard de Carvalho Neves, professor aposentado da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, que era cunhado da esposa,  com seu genro Alfredo Costalonga, advogado do INNS  e o Coronel Ernesto Vieira da Silva, cunhado do Alfredo. Ernesto era aposentado pela policia militar do Espírito Santo. Pessoa de grande influência de vários  governadores. O assunto era  “melhorar o distrito de Marechal Floriano”. Evahy resolveu fazer uma reunião na sua residência para   discutir   uma  Associação em prol de Marechal Floriano. Convocou  pessoas residentes na vila. Em 24 de fevereiro de 1964. foi criada a  Associação Pro- Desenvolvimento Urbano e Rural do Distrito de Marechal Floriano, sendo seu primeiro presidente Emílio Gustavo Hülle.  Acervo Jair Littig. ( Observação.: Evahy Mendes 
Nasc.: 25/12/1889  Falec.: 21/11/1967). 

Eleição de 1960 para Presidente da República

Eu tinha 12 anos, acompanhei meu pai que era uma Janista doente. Foram colocados grandes faixas na entra de Marechal. Jânio Quadro pelo partido União Democrática Nacional, sendo um símbolo a vassoura, prometendo varrer a corrupção no Brasil. Marechal Lott do Partido Social Democrático, sendo o símbolo uma espada. Representava a lei. Ainda tinha o Ademar Barros. Além do meu pai, Antonio Nalesso, Hamilton Linz, Augusto Hülle, todos com Jânio. A eleição aconteceu em outubro.  Em 10 de outubro, Domingos Martins já tinha  o resultado final, Jânio ganhou. Nesta eleição o voto do vice era separado, quem ganhou foi  Milton  Campos, mas João Goulart foi eleito o vice –presidente. Um fato curioso que aconteceu na vila. O 12 de outubro sempre era comemorado com um grande foguetório, dia de Nossa Senhora Aparecida.  Neste dia alguns luteranos janistas também resolveram  soltar foguetes. Perguntaram a eles “ Vocês converteram para o catolicismo?, mas o tiroteio não é para o Jânio?”. Jânio foi um sonho que durou dois anos. Meu pai sentada na mesa do almoço, disse para minha mãe ( não vou mais envolver com política, resposta da mãe, que Deus diga amém). TER-ES Jair Littig.

                     A Volta de João Goulart

Em 07 de setembro de 1961, com a renuncia do Jânio, e de muitas discussões, João Goulart era vice presidente, assumiu a presidência do Brasil. Em Marechal Floriano os ferroviários fizeram festa. Era a volta do afilhado do Getúlio Vargas ao poder. Depois de uma amarga derrota do Partido Social Democrático (PSD), era o momento de comemorar. Tudo aconteceu no novo comércio do Celso Stein. Lá estavam o chefe de turma Benicio Nascimento da Vitória, acompanhado dos mantenedores de linha Pedro Antonio, Antonio José, José Vieira, Manoel falcão, Alexandre Pereira, mais o guarda-chaves Olímpio Penha. Celso bem animado, no seu comércio ainda tinha uma grande foto de Marechal Lott, que concorreu a eleição com Jânio. Era uma euforia com a volta do Goulart, pois todos ainda tinham na  memória o Getúlio, conhecido como “pai dos pobres”. A festa foi regada com uma famosa batida de cachaça com gengibre, que somente Celso sabia fazer, acompanhado de um tira gosto de carne seca. A esquerda foto de 1974, a rua Presidente Kennedy, onde podemos ver o comércio de Celso Stein. Foto: Acervo Jair Littig.

                   Eleição de 1962

Nesta eleição um jovem farmacêutico tem uma expressiva votação na vila de Marechal Floriano. Ary Ribeiro da Silva candidato pela União Democrática Nacional. Ao lado do prefeito Paulo Lorenzoni, que ganhou por um voto, mas contestado pelos perdedores, Joaquim Tesch e seu vice Waldemiro Hülle. Na recontagem Paulo teve u aumento de 11 votos. Ary trabalhou muito pela vila, colocou nomes nas ruas, melhorou o sistema de agua e luz. Em 1964 esteve presente na fundação da Associação Pro – Desenvolvimento Urbano e Rural do Distrito de Marechal Floriano, que foi primeiro passo para criação do município. Naquela ocasião vereador  não era remunerado. Ary com sua lambreta, deslocava para Campinho, quando havia assembleia municipal. Abaixo imagens de recortes dos jornais Diário Carioca  de 15/02/1964 e O Jornal – RJ 01/01/1963 sobre a eleição de 1962.


          Plebiscito de 1963

Aconteceu em 06 de janeiro. O plebiscito era votar  a permanência do presidencialismo ou parlamentarismo. Quem votasse no não, estaria garantido o presidencialismo. Muitos eleitores não tinham conhecimentos  sobre esta votação. Na realidade o sim era enfraquecer o atual presidente, João Goulart. Lembro-me bem a jovem Terezinha Mendes, filha do seu Generoso, mesmo sendo de menor, foi indicada para ser mesária. No final, o não ganhou. No município de Domingos Martins conforme registros do TER/ES, a votação foi expressiva para o não. Com o resultado garantido ao atual presidente da república, os ferroviários de Marechal comemoram  com fogos de artifícios, pois Goulart era afilhado do Getúlio Vargas. TER – ES- Jair Littig. 

                      31 de Março de 1964

Naquela ocasião eu estudava a terceira série ginasial em Campinho. Tinha dezesseis anos. No dia seguinte antes de começar as aulas, o diretor fez uma palestra sobre os acontecimentos no Brasil. Orientou os alunos que não podiam mais fazer reuniões em locais abertos. No colégio haviam vários alunos simpatizantes pelos livros de Karl Marx, outros por Che Guevara. A estes foram orientados a ter cuidados em suas palavras. Em Marechal os ferroviários não ficaram contentes com a derrubado do João Goulart. Quando Castelo Branco faleceu em 18 de julho de 1967, o agente de estação soltou foguetes. Em 1965, surgiu uma nova matéria Educação Moral e Cívica. Um livro com muitas páginas, voltada para defesa do princípio democrático, através da preservação do espírito religioso, da dignidade da pessoa humana e do amor à liberdade com responsabilidade. Na realidade era forma direta contra o comunismo. Falando em comunismo, em 1966 apareceu em Marechal Floriano um jovem, com idioma espanhol. Descobriram que era cubano. Foi um alvoroço. Queriam linchar o homem. Precisou D. Fausta Simões, sair de sua residência, para acalmar as pessoas envolvidas. Veio a polícia e solucionou a caso. Era uma jovem marinheiro mercante de nacionalidade cubana, que desertou do navio, no porto de Vitória.  Jair Littig. Na imagem a esquerda Para a eleição de 1965, haviam dois candidatos de peso, Juscelino e Lacerda. Em Marechal o mais cotado  era o Lacerda. Documento - SIAN – 1964.

    Funcionários antigos  da prefeitura

José Henrique Pereira foi  funcionária nos anos cinquenta, como bombeiro encanador. Já nos anos sessenta Ary Ribeiro quando foi vereador, empregou Waldemar Mees que além de encanador, era ferreiro e mecânico. No período de Joaquim Tesch, João Nalesso era  varredor de rua.

José Henrique Pereira (José Piaba)
 
Nasceu em 21 de Agosto de 1922.Em 13 de dezembro de 1947, casou na capela católica de Marechal Floriano, com Clara Luiza Hülle, nascida em 28 de março de 1923, filha de Emil Oscar e Catharina Schneider. José faleceu em 06 de outubro de 2007, sua esposa em 07 de junho de 1987.
                       
                                   João Nalesso

Nasceu 15/12/1908, em Batatal , filho de imigrante italiano . Cortava cabelo  numa casa que pertenceu ao  José Taquetti. Além de barbeiro, foi funcionário da prefeitura. Faleceu em  23/01/1985.

   
             Waldemar Mees

Filho de George Klippel Joanna Karolina Littig nasceu em 18 de agosto de 1928.Faleceu em 23 de abril de 1975. Em 06 de setembro de 1963, casou com Domicilia Izabel Seith, de 19 anos, filha de José Verônica Schunck. 




                Continua [ ... ]


O Grito Silencioso das Máscaras: A Resistência de Roda D'água e o Legado de João Bananeira

  Por Giovana Schneider No calendário oficial do Espírito Santo, a segunda-feira que sucede a oitava de Páscoa é reservada à celebração de N...