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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O verbo ler não aceita imperativo



 "A partir do momento em que se coloca o problema do tempo para ler, é porque a vontade não está lá. Porque, se pensarmos bem, ninguém jamais tem tempo para ler. Nem pequenos, nem adolescentes, nem grandes. A vida é um entrave permanente à leitura.









(...) 

O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.). Roubado a quê? Digamos, à obrigação de viver.
(...)
O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver. 
(...)
Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse. A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser. A questão não é saber se tenho tempo para ler ou não (tempo que, aliás, ninguém me dará), mas se me ofereço ou não a felicidade de ser leitor."

Os trechos acima são do livro Como um romance, do escritor francês nascido em Marrocos, Daniel Pennac, que faz os leitores refletirem sobre o ato de ler, sobre o momento em que permitimos que nossas crianças - antes ávidas por historinhas no aconchego dos lençóis - se distanciassem dos livros e da leitura.

Pennac arrisca algumas suposições sobre esse distanciamento. Muitos pais quando a criança começa a ler, resgatam para si os minutos que dedicavam a ela. O momento de aconchego e de fantasia compartilhada é rompido. A escola também pode ter sua parcela de culpa, com leituras obrigatórias, fichas de leitura e questões sobre o livro, quando a criança precisa do silêncio para a obra crescer e transformar-se dentro dela, fazer sentido. O que era prazer, vira obrigação.

Para Pennac: 

"O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que partilha com alguns outros: o verbo “amar”… o verbo “sonhar”… 
Bem, é sempre possível tentar, é claro. Vamos lá: “Me ame!” “Sonhe!” “Leia!” “Leia logo, que diabo, eu estou mandando você ler!”
- Vá para o seu quarto e leia!
Resultado?
Nulo."

O escritor vai de página em página tecendo seu amor pela leitura em um livro simples e verdadeiro. Um ensaio poético para qualquer idade.

"Uma aluna desse professor assim o descreve:

Ele chegava desgrenhado pelo vento e pelo frio, em sua moto azul e enferrujada. Encurvado, numa japona azul-marinho, cachimbo na boca ou na mão. Esvaziava uma sacola de livros sobre a mesa. E era a vida. (…) Ele caminhava, lendo, uma das mãos no bolso e, a outra, a que segurava o livro, estendida como se, lendo-o, ele o oferecesse a nós. Todas as suas leituras eram como dádivas. Não nos pedia nada em troca.

Ao final do ano, os alunos somavam: Shakespeare, Kafka, Beckett, Cervantes, Cioran, Valéry, Tchecov, Bataille, Strindberg. A lista era imensa. E ela continua no seu depoimento emocionado:

Quando ele se calava, esvaziávamos as livrarias de Renner e de Quimper. E quanto mais líamos, mais, em verdade, nos sentíamos ignorantes, sós sobre as praias de nossa ignorância, e face ao mar. Com ele, no entanto, não tínhamos medo de nos molhar. Mergulhávamos nos livros, sem perder tempo em braçadas friorentas." (Trecho retirado do blog Leituras Favre)

Por fim, ele nos revela os Direitos Imprescritíveis do Leitor:

I - O direito de não ler.
II - O direito de pular páginas.
III - O direito de não terminar um livro.
IV - O direito de reler.
V - O direito de ler qualquer coisa.
VI - O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
VII - O direito de ler em qualquer lugar.
VIII - O direito de ler uma frase aqui outra ali.
IX - O direito de ler em voz alta.
X - O direito de calar

Sem dúvida um livro para ter na estante!

Fonte: https://culturamidiaeducacao.blogspot.com/2009/11/o-verbo-ler-nao-aceita-imperativo.html

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A alma do outro

por Lya Luft

“No relacionamento amoroso, familiar ou amigo
acredito que partilhar a vida com alguém que
valha a pena é enriquecê-la. Permanecer numa
relação desgastada é suicídio emocional, é
desperdício de vida”

“A alma do outro é uma floresta escura”, disse o poeta Rainer Maria Rilke, meu único autor de cabeceira.



A vida vai nos ensinando quanto isso é verdade. Pais e filhos, irmãos, amigos e amantes podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, podem se divertir juntos e sofrer juntos, ter gostos parecidos ou complementares, ser interessantes uns para os outros, superar grandes conflitos – mas persiste o lado avesso, o atrás da máscara, que nunca se expõe nem se dissipa.
Nem todos os mal-entendidos, mágoas e brigas se dão porque somos maus, mas por problemas de comunicação. Porque até a morte nos conheceremos pouco, porque não sabemos como agir. Se nem sei direito quem sou, como conhecer melhor o outro, meu pai, meu filho, meu parceiro, meu amigo – e como agir direito?
(…)
Amor e amizade transitam entre esses dois “eus” que se relacionam em harmonia e conflito: afeto, generosidade, atenção, cuidados, desejo de partilhamento ou de vida em comum, vontade de fazer e ser um bem, e de obter do outro o que para a gente é um bem, o complicado respeito ao espaço do outro, formam um campo de batalha e uma ponte. Pontes podem ser precárias, estradas têm buracos, caminhos escondem armadilhas inconscientes que preparamos para nossos próprios passos em direção do outro. O que está mergulhado no inconsciente é nosso maior tesouro e o mais insidioso perigo.
Pensar sobre a incomunicabilidade ou esse espaço dela em todos os relacionamentos significa pensar no silêncio: a palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar; o silêncio que não foi erguido no momento exato – e era o momento de calar.
Mas, como escrevi várias vezes, a gente não sabia. É a incomunicabilidade, não por maldade ou jogo de poder, mas por alienação ou simples impossibilidade. Anos depois poderá vir a cobrança: por que naquela hora você não disse isso? Ou: por que naquele momento você disse aquilo?
Relacionar-se é uma aventura, fonte de alegria e risco de desgosto. Na relação defrontam-se personalidades, dialogam neuroses, esgrimem sonhos e reina o desejo de manipular disfarçado de delicadeza, necessidade ou até carinho. Difícil? Difícil sem dúvida, mas sem essa viagem emocional a existência é um deserto sem miragens.
No relacionamento amoroso, familiar ou amigo acredito que partilhar a vida com alguém que valha a pena é enriquecê-la; permanecer numa relação desgastada é suicídio emocional, é desperdício de vida. Entre fixar e romper, o conflito e o medo do erro.
Somos todos pobres humanos, somos todos frágeis e aflitos, todos precisamos amar e ser amados, mas às vezes laços inconscientes enredam nossos passos e fecham nosso coração. A balança tem de ser acionada: prevalecem conflitos ásperos e a hostilidade, ou a ternura e aqueles conflitos que ajudam a crescer e amar melhor, a se conhecer melhor e melhor enxergar o outro? O olhar precisa ser atento: mais coisas negativas ou mais gestos positivos? Mais alegria ou mais sofrimento? Mais esperança ou mais resignação?
Cabe a cada um de nós decidir, e isso exige auto-exame, avaliação. Posso dizer que sempre vale a pena, sobretudo vale a pena apostar quando ainda existe afeto e interesse, quando o outro continua sendo um desafio em lugar de um tédio, e quando, entre pais e filhos, irmãos, amigos ou amantes, continua a disposição de descobrir mais e melhor quem é esse outro, o que deseja, de que precisa, o que pode – o que lhe é possível fazer.
Em certas fases, é preciso matar a cada dia um leão; em outras, estamos num oásis. Não há receitas a não ser abertura, sinceridade, humildade que não é rebaixamento. Além do amor, naturalmente, mas esse às vezes é um luxo, como a alegria, que poucos se permitem.
Seja como for, com alguma sorte e boa vontade a alma do outro pode também ser a doce fonte da vida.
Lya Luft

terça-feira, 11 de setembro de 2018

SETEMBRO AMARELO

A cada 40 segundos, há um suicídio no mundo... 
No Brasil, há um suicídio a cada 45 minutos. Os dados mundiais indicam que ocorre uma tentativa a cada três segundos e um suicídio a cada 40 segundos. No total, chega-se a 1 milhão de suicídios no mundo. 
Provocar o fim da própria vida está entre as principais causas das mortes entre jovens, de 15 a 29 anos, e também de crianças e adolescentes.
No esforço para mudar esses números, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que a data de 10 de Setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.





Efeito Hannah Baker
“Oi, é a Hannah, Hannah Baker. Não ajuste seu… o que quer que esteja usando para ouvir isso. Sou eu, ao vivo e em estéreo. Sem promessa de retorno, sem bis e, desta vez, sem atender a pedidos. Pegue um lanche. Acomode-se. Porque vou contar a história da minha vida. Mais especificamente, por que minha vida terminou”, diz a protagonista da série 13 Reasons Why. Hannah nasceu no livro Os 13 Porquês, do americano Jay Asher, publicado em 2007, que virou série lançada pela Netflix no final de março. Na história, a menina de 17 anos sofre bullying, ganha o rótulo de “fácil” na escola, é estuprada e acaba isolada dos colegas. Até que decide se matar, e deixar 13 fitas cassetes explicando os motivos que a levaram a isso.
A popularidade da série fez do suicídio um tema obrigatório em escolas e famílias – até porque a incidência entre adolescentes nunca foi tão alta. “Tenho 35 anos de profissão e observo hoje cada vez mais jovens com depressão”, diz o psiquiatra Neury Botega, professor do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp. “Antes atendíamos pessoas com a doença já na casa dos 40. Hoje atendemos adolescentes deprimidos.”
O Centro de Valorização da Vida, o CVV, principal serviço de apoio psicológico e de prevenção ao suicídio do País, sentiu o efeito imediato da série. Na primeira semana de abril, logo após o lançamento do seriado, a média diária de pedidos de ajuda por e-mail passou de 55 para mais de 300 (um aumento de 445%), muitos mencionando a história de Hannah Baker.  “É positivo ver que, a partir da série, as pessoas estão percebendo que não estão sozinhas, que existe um serviço sigiloso onde elas podem compartilhar suas dores sem serem julgadas”, afirma Carlos Correia, voluntário do CVV há 25 anos, que viu o seriado com seus filhos adolescentes.
Nem todos concordaram com Correia, no entanto. O fato de o seriado ter mostrado explicitamente a morte de Hannah foi muito criticado – e é, inclusive, desaconselhado pela OMS. O medo é do “efeito Werther”. O nome do fenômeno vem do romance Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, cujo protagonista se mata após ser rejeitado pela amada. O tom depressivo do livro, publicado em 1774, provocou uma comoção entre jovens da época, que seguiram o personagem e também se suicidaram.
O fenômeno goethiano é comprovado pela ciência: médicos da Universidade de Viena analisaram 98 casos de suicídio de famosos e perceberam que reportagens sensacionalistas, que glamorizavam a morte de celebridades, estimulavam o “suicídio por imitação”. Em 1962, quando a imprensa confirmou que Marilyn Monroe havia se matado, a taxa de suicídio cresceu 12% nos EUA.
Em 1962, quando a imprensa confirmou que Marilyn Monroe havia se matado, a taxa de suicídio cresceu 12% nos EUA.
Na mesma época do lançamento de 13 Reasons Why, outro fenômeno jovem chamou atenção para o tema: o jogo Baleia Azul. No desafio, de origem misteriosa e noticiado pela primeira vez na Rússia, um moderador distribui missões mórbidas em um grupo secreto de Facebook – coisas como automutilação, subir no alto de um prédio ou ir a uma estrada de ferro de madrugada. A prova final é acabar com a própria vida. O nome se deve ao comportamento supostamente suicida de baleias que se jogam nas praias, encalham e morrem.
Ainda há dúvidas sobre se o jogo realmente foi criado na Rússia e se virou mesmo uma febre por lá – mas seus efeitos são bem reais por aqui. No início de abril, uma menina de 16 anos foi encontrada sem vida em uma represa no interior do Mato Grosso, com sinais que remetiam ao Baleia Azul: cortes nos braços e pernas – além de uma lista de tarefas com cronograma e regras do desafio. Ainda não existe um número preciso de vítimas no Brasil, mas os Estados de Goiás, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e Paraná estão investigando mortes de jovens para descobrir se há ligações com a “brincadeira”.

Atenção

Se você ou alguém que você conhece está tendo problemas, comece a ler por aqui.
Reconheça os sinais
Frases ou publicações nas redes sociais que falem de solidão, isolamento, culpa, apatia, autodepreciação, desejo de vingança ou hostilidade fora do comum. Coisas como:
“Não faço nada direito, sou um lixo”, “Não quero sair da cama nunca mais”, “Mais uma madrugada sem sono”, “Quero que todo mundo se dane”, “Vocês não vão precisar mais se preocupar comigo”
Impulsividade: aumentar o uso de álcool ou drogas, mudanças drásticas de peso, dirigir perigosamente
Uso frequente de emojis negativos
Perguntas sobre métodos letais, como facas, armas ou pílulas
Enaltecer e glamorizar a morte
Desfazer-se de objetos pessoais e dar adeus

Fonte: https://super.abril.com.br/sociedade/sim-o-melhor-e-falar-sobre-suicidio/

Se você está com problemas:
Ligue para o CVV pelo número 141 (é 24 horas)


Outro caso: 
https://www.bemmaismulher.com/se-mata-mas-nao-ferra-minha-vida-sobre-a-falta-de-empatia-nos-dias-de-hoje/
Eu , o App e a tentativa de suicídio.
O App toca pela 8 vez naquele dia. Aparentemente e só mais uma segunda feira e la vou eu buscar a Camila.
Camila e uma daquelas passageiras que da gosto conversar. Jovem, cheia de amor pelo seu namorado e esbanjando vida. Mal sabia ela que caminhávamos em direção a morte , senao a morte da vida, a morte da empatia.
Saímos do nosso endereço inicial e em 3 minutos ja estávamos na terceira ponte ( principal ponte de ligação entre vila velha/ Vitória ), andamos por volta de 1km e encontramos uma interdição.
Depois de uns 3 minutos parado, peço licença a Camila para sair do carro e verificar o que houve.
Logo a minha frente vejo um jovem senhor , pendurado na ponte tentando suicídio. Apenas 10 carros a minha frente. Uns 200 metros me separam daquele homem, além de uma viatura da pm e umas 20 pessoas fora dos carros.
A sensação e de desespero, medo e algumas outras indescritíveis ao ver a cena. Ainda meio chocado com tudo , vejo chegando os bombeiros que de maneira eficiente isolam o local e iniciam a " negociação" com o homem.
São exatamente 15:30h e a fila de carros e pessoas começam a aumentar e a cena que ja era lamentável se torna desumana, quase indescritível.
Após uns 40 minutos de espera , as pessoas ja começam a fazer amizades, as lives, postagens e piadas começam ja tomar conta do ambiente.
E estranho, um homem tenta tirar a vida e em volta uma social esta montada.
Não ha silêncio , empatia ou preces. Ouço buzina. Sim, alguém buzina em protesto pela demora e logo e contido.
Contudo, sociólogos e psicologos , poderao discorrer sobre. A buzina foi a senha, a forca motriz, a faísca que faltavam para o caos começar.
O que vem a seguir e so um resumo, apenas partes de um show de horrores que vivi por mais de 5 horas, visto a ponte ter sido interditada.
Após a buzina , a primeira piada direcionada ao suicida foi feita :
"Pula, vai que boi tenha asas..." , o piadista desalmado encontrou platéia e começou a destilar ódio.
Ha um dito bíblico que um abismo, chama outro abismo. Aquele homem a beira do precipício ouvia gritos abismados de cadáveres humanos :
- " se quiser eu te empurro"
- "pula daí , macaco"
- "ah, se eu tivesse uma arma, eu mandava um tiro daqui mesmo"
- "dor de corno"
- isso e falta de sexo"
-" chama o Bolsonaro" (fazendo sinal de arma em direção ao homem"
- se mata , mas nao ferra minha vida "
Tudo isso, não foi dito na surdina ou baixinho. Tudo foi gritado em alto e bom som , sendo eventualmente um ou outro advertido pela polícia.
Eu fui andando pela ponte, queria ouvir as fala, ver as reações, nao acreditava no que via.
Andando um senhor me fala: " fortão, vai la e empurra ele logo, porra"
Passei direto e fui para uma das várias rodinhas feitas. Eram dezenas delas afinal nao tinha nada a ser feito a nao ser esperar , estávamos presos ali.
Ah, a Camila preferiu ficar dentro do carro a maior parte do tempo, ela disse nao ter estrutura para as falas alheias.
Numa rodinha o assunto era política, na outra futebol, na terceira o dono da BMW diz : " gente, ta na cara que e um morador de rua , da um tiro no pe dele se ele cair para frente ta salvo, para trás ,morreu , menos um bandido no mundo ".
O jovem senhor , por ser negro e aparentemente mal arrumado ja tinha sido sentenciado.
Nao vou me estender aos comentários que ouvi, foram dezenas de aberrações, juro que algumas sequer tenho coragem de contar aqui.
Uma me acalmou. Passaram 2 cobradores e disseram : " bora furar o cerco e empurrar ele ? " , falaram se dirigindo a outro senhor que respondeu:
"Não, eu prefero orar " . Minha esperança se renovou. Nao pelo âmbito da fé propriamente, mas pela empatia da afirmação.
As horas foram passando as 20h , ja tínhamos um circo de horror montado.
Um homem preso por furar o cerco, Polícia tendo que lancar bomba de gas para conter a multidão e dezenas de pessoas em coro batendo na lataria do ônibus e gritando :
"Pula, pula, pula " . Indescritível !
E la estavam incansavelmente os bombeiros , conversando com o homem. Era visível o amor e a dedicação no ato deles.
Até que o mais espantoso aconteceu.
Moradores próximos soltavam fogos na direção do homem pendurado.
Sim? Foi isso que voce acabou de ler.
Mas não acabou, da sacada dos prédios luxuosos da Praia da Costa, bairro nobre de Vila velha, vinha uma luz , estilo sinalizador de grande porte em direção ao homem. Numa tentativa de cega-lo ou transformar o circo de horror em show.
Chega ser difícil descrever.
Os xingamentos ao homem eram incessante, inclusive , por pessoas que usavam "fitinhas amarelas " nas roupas , celebrando o dia mundial de prevenção ao suicídio.
Sim meus amigos, ontem dia do ocorrido foi o dia mundial de prevenção ao suicídio.
Mas aquilo não era uma encenação, uma chamada de tv ou um comercial sobre o assunto . Era a vida nua , crua e sem alma.
Me aproximo da bombeira Lauff, ela esta sozinha vestindo acessórios como se fosse escalar e pergunto o que ela.ira fazer.
- " vou fazer de tudo, ali esta uma vida. Sei que vcs ja estão cansados de esperar na ponte, mas nao vou desistir. É uma vida..."
Crente que sou, me lembrei de Jesus falando das 99 ovelhas , e de não desistir de nenhuma sequer.
Eram 20:20h, decidi entrar no carro com as palavras da bombeira, nao queria me contaminar com mais nada negativo.
20:40, os carros que estao na ponte sao autorizados a descer.
20:55, deixo Camila em casa.
21:30h, chego em casa. 23:20h , o senhor e tirado com vida da ponte.
Termino este relato secamente, quase em silêncio , com o célebre minuto de silêncio, pois aquele senhor viveu, mas a humanidade morreu um pouco ali no alto daquela ponte, tudo isso no dia mundial de prevenção ao suicídio.
Relato de um motorista de aplicativo. Vitória ES 10/09/2018
Henrique Romero
Pastor, estudante de ciências sociais e motorista de APP.