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terça-feira, 27 de agosto de 2019

MARECHAL FLORIANO... Resgatando Memórias II (D. Neném)

ANASTÁCIA ISABEL THOMES LEMKE
(D. Neném Lemke)

A querida Dona Neném Lemke, quem não se lembra de suas saborosas sopas de legumes no Ginásio Emílio Oscar?

            Anastácia Isabel Thomes, nascida em 13/02/1932 em Biriricas, Domingos Martins/ES.
 Filha de José Germano Thomes e Catharina Sofhia Bremenkamp.


Casou-se no dia 07/12/1955, com Atílio Lemke (mais conhecido como Pupi Lemke), teve 8 filhos, 22 netos e 15 bisnetos.
           Residiu em Biriricas até 1957, quando mudou-se para Perobase lá morou até março de 1970, depois foi morar em Marechal Floriano onde reside até a data atual.
           Sempre trabalhou muito na roça para ajudar no sustento da casa, já que ficou viúva 11 de maio de 1983.
          Trabalhou também como merendeira na Escola Emílio Oscar Hülle de 1975 até 1989, quando se aposentou, lá era muito conhecida por suas deliciosas sopas de legumes, salgados e o famoso pastel de banana.
(Abaixo, postagem de ontem 26/08/19 no facebook, da minha querida amiga Elisabeth, achei tanta coincidência que tive que compartilhar aqui, pois já estava escrevendo no blog a respeito de Dona Neném, e ela lembra dela no face :)).


Ela sempre foi uma pessoa de muita fé, participou intensamente das comunidades onde residiu, ajudando nas festas religiosas e casamentos.
Dona Neném na sua simplicidade, sempre foi uma pessoa muito comunicativa, gosta de conversar com todos que a rodeiam. Já foi Miss Simpatia da 3ª Idade de Marechal Floriano no ano de 2000.


Escrever de Dona Neném é trazer na lembrança os bons tempos que vivemos no Ginásio Emílio Oscar, ela faz parte desta história. 
Mãe do saudoso Silvio Lemke, este que já foi diretor do Ginásio.

Quando escrevi o poema MULHER, lembrei de mulheres guerreiras como a Dona Neném.
O meu livro de poemas:
PALAVRAS... 
Palavras ao Vento!
PALAVRAS...
Que terá o seu lançamento em outubro/2019.

MULHER

Foram muitas lutas...
Foram muitas lágrimas...
Foram muitos gritos...
Foram muitas dores...
Mulher,
És Guerreira na Fé...
Seu escudo,
É a sua Oração.
No rosto carrega o Sorriso,
No coração o Amor,
Somente ela e Deus...
Sabem de sua Dor.
Mulher,
És Guerreira na Dor...
És Guerreira no Amor...
És Guerreira na Fé...
És sempre Guerreira,
Onde estiver...
MULHER



GIOVANA CRISTINA SCHNEIDER 

quarta-feira, 24 de julho de 2019

MARECHAL FLORIANO... Resgatando Memórias II (João do Foto)

                                                   "JOÃO DO FOTO' 

Assim era chamado João Batista Rocha. Ele que foi o primeiro a ter um local, tipo um estúdio em Marechal Floriano, que era o "Labor Foto", mas que era também conhecido como o "FOTO" do João.


João Batista Rocha, nasceu em Vitória/ES. em 24 de Junho de 1945 e faleceu em 28 de dezembro de 2017. Teve cinco filhos. Antes de ser fotógrafo foi trocador de ônibus. Trabalhou um tempo como fotógrafo em Maruípe, bairro da grande Vitória, capital do ES, onde teve também o local, tipo um estúdio.
Mudou para Marechal Floriano com a família no ano de 1978, pois viu uma oportunidade de crescer na cidade do interior, visto que lá não tinha um local para tirar fotos e os fotógrafos que faziam fotos, eram de Campinho, cidade vizinha. Naquela época Marechal ainda pertencia a Domingos Martins. O  Labor Foto ou o "Foto" do João como era mais conhecido fez muitos clientes, quando havia em Marechal e até nas redondezas, casamentos, aniversários de quinze anos e festas populares, lá estava o João fotografando. Muitos moradores mais antigos de Marechal Floriano, com certeza tem uma foto, álbuns ou até aquelas fotos grandes para colocar na parede, reveladas e feitas pelo saudoso "João do Foto".




Palavras do Jair Littig:
"No início do século passado teve o João Endlich, com muitas fotos que ainda hoje podemos ver. Teve o Brasilis, mas este ainda não vi nada dele. Augusto Mees foi fotógrafo entre 1930 a 1950, morou em Marechal Floriano, este eu tenho muitas fotos. Teve também Leonardo Klein, especialista em fotos de casamento, residia no Soído de Baixo, hoje Cabocla. Aristeu Braga com sua Kodak, gostava de tirar fotos de futebol. O João, podemos dizer que foi um pioneiro."

Lembranças de Maysa e da Kota ( Maria Amália):
"Tinha o Sr. Nestor, que era de Campinho, com o seu cavalinho que fazia fotos em dia de festas."

Atualmente, temos em Marechal Floriano ótimos profissionais, e dentre eles não podemos esquecer do Fábio Klippel  com sua FOTO MANIA. 


A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NO BRASIL

"Desde seu nascimento, no século XIX, a fotografia conquistou espaço no cotidiano das pessoas, retratando costumes, artes e cultura, além de se tornar uma fonte de renda para muitos trabalhadores.

Um dos pioneiros da Fotografia no Brasil foi o pintor e naturalista francês radicado no Brasil, Antoine Hercules Romuald Florence. Florence, que chegou ao Brasil em 1824, estabeleceu-se em Campinas, onde realizou uma série de invenções e experimentos. No ano de 1833 Florence fotografou através da câmera escura com uma chapa de vidro e usou papel sensibilizado para a impressão por contato.

Em 1839, ocorreu a chegada do daguerreótipo (uma das primeiras formas de reprodução fotográfica) ao Rio de Janeiro. Neste equipamento, a imagem era formada sobre uma camada de prata polida, aplicada sobre uma placa de cobre e sensibilizada em vapor de iodo.

O Imperador Dom Pedro II, um fotógrafo apaixonado, também contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da arte no país. Em viagem a Paris, em 1840, comprou um daguerreótipo e, com menos de 15 anos, já registrava as primeiras impressões sobre o Brasil através do equipamento. (...)
Fonte: net "


Giovana Cristina Schneider 

terça-feira, 14 de maio de 2019

MARECHAL FLORIANO... Resgatando Memórias II (Família Fischer/Rupf)

HISTÓRIAS DE ALGUMAS FAMÍLIAS DE MARECHAL FLORIANO/ES. 
                           (Primeira Postagem) 

                             Família Fischer 


A foto acima é do final do século XIX da família Fischer, que em 1862 veio residir na região do Braço do Sul. Cultivavam café. A família do Franz tinha uma excelente situação financeira, na foto podemos abservar a elegância desta família. O rapaz da esquerda Adolf já usava óculos.
Todos os Fischer de Marechal Floriano, são descendentes desta família



                                           João Rupf com sua família 



Fotos da família de João Rupf. João nasceu em Marechal Floriano, filho de Edmundo e Gertrudes Endlich. Foi comerciante em Marechal Floriano, Vitória, Vila Velha e Cachoeiro do Itapemirim. A foto são dos seus filhos em Cachoeiro - 1941


Filhas Jacy e Gecy, nasceram em Marechal Floriano. Foto do carnaval de 1928.


O menino Joacyr foi piloto da aviação da PANAIR (Panair do Brasil S.A. foi uma da companhias aéreas pioneiras do Brasil) e da VARING. Faleceu em 1969, ele e a filha, em um acidente aéreo no Rio de Janeiro. 

Fonte: Jair Littig

PS: Ainda em construção, vou fazer alguns acertos.

Giovana Cristina Schneider

segunda-feira, 13 de maio de 2019

MARECHAL FLORIANO...Resgatando Memórias II (Estação)

HISTÓRIA DA ESTAÇÃO MARECHAL FLORIANO
Ela teve sua inauguração no dia 13 de Maio de 1900

ESTAÇÃO MARECHAL FLORIANO
A Estação Marechal Floriano teve um papel primordial para o desenvolvimento desta localidade, a antiga Vila Braço do Sul, que após a sua inauguração ficou conhecida como Estação Marechal Floriano e a se chamar Vila Marechal Floriano. Trouxe também um certo "progresso" com os trens de cargas e passageiros, pois construções foram feitas mais próximas da estação. A Vila se tornou um ponto estratégico para o comércio do café e toda a produção da região era embarcada no trem para o porto de Vitória, isso foi uma grande vantagem para os cafeicultores. Assim a trajetória de Marechal Floriano foi sendo escrita, centralizada em sua estação ferroviária.
(MARECHAL FLORIANO...Resgatando Memórias. Giovana Cristina Schneider)






CURIOSIDADE
















(...) Começa a construção da Estrada de Ferro Sul Espírito Santo, e com ela a Estação na Vila Braço do Sul, que fica pronta em 1900, e no dia 13 de Maio foi inaugurada, recebeu o nome de Marechal Floriano em homenagem ao Vice-Presidente Marechal Floriano Vieira Peixoto. A Vila Braço do Sul, passa a se chamar Vila Marechal Floriano...Hoje Município, Marechal Floriano são 119 anos de Nome, mas, são 157 anos de História para aqui chegar, uma história que começou lá em 1862.

Giovana Cristina Schneider 




quarta-feira, 8 de maio de 2019

A Pietà do Lixo - Dona Domingas


Dona Domingas
Por: Estêvão Zizzi
Naquela madrugada do ano de 1960, livre do ventre da mãe, vinha ao mundo, uma criança incomum pela graça. Negra azulada, olhos cor de pitanga. Por ser um domingo, nome religioso que leva o significado, “pertencente ao senhor”, foi batizada de Domingas. Nasceu no morro do Palácio, numa casinha feita de palha de centeio sustentada por traves de madeira. Minutos depois, seus pais se depararam frente a um paradoxo: livre para viver num mundo de pessoas sem almas? Testemunharam seu nascimento, a lua, o Cruzeiro do Sul, o céu, as estrelas, os gritos e gemidos dos acorrentados, filhos da escravidão. Quadro perfeito retratado por Castro Alves em o “Navio negreiro”. Famílias tratadas como animais e forçadas a dançar sob o chicote dos capatazes.
"Era um sonho dantesco!... o tombadilho,
que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar!...
A infância de Domingas foi cercada pela “maldição da cor”: Ouvir, ficar calada e obedecer.
Muitas vezes conviveu com a “peia”, um tipo de algemas para tornozelos e pulsos, de madeira ou de ferro.
Ao redor desse contexto, os senhores, seus proprietários, comemoravam e festejavam a venda de um ou outro negro, que era anunciado nos jornais: Correio de Victoria, Jornal de Victoria, O Espírito Santense e O Constitucional.
“ AMA de Leite. – Vende-se uma preta, muito moça com cria; sabendo lavar perfeitamente, e bem desembaraçada para o serviço doméstico: é muito sadia, e o motivo da venda: é não querer servir mais a seus antigos senhores, número 75 – sobrado.”
“Nesta tipografia se dirá, quem deseja alugar um moleque de 8 a 10 anos de idade, que seja sadio e de bom comportamento.”
Ironia do destino, os tais senhores, até faziam o sinal da Cruz quando o interessando assinava o contrato.
Por duas décadas viveu e respirou esses ares, cercada pelas belas e imponentes igrejas da chamada cidade Presépio.
Um dia qualquer no final dos anos oitocentos, nas ruas de Vitória, o povo gritava e festejava: - “ Estamos livres!” “A princesa nos libertou!” Era o anúncio da Lei Áurea – Fim da escravidão no Brasil!
Domingas, pendurada no morro e pedindo socorro, vendo a cidade a seus pés, quis festejar, mas, simplesmente, sorria sem palavras com lágrimas no rosto.
Estava livre? Sim! Qual destino?
Como muitos foi morar no morro do pinto no Bairro de Santo Antonio.
Tão logo, arrumou um emprego como catadeira de café em grãos no armazém de café da firma alemã Tordovilli. Mais tarde trabalhou como faxineira em várias casas.
No morro do Pinto, gostava muito de frequentar a igreja de Santo Antonio. Ajudava o próximo na medida do possível e os padres faziam o mesmo por ela. Dona Domingas não faltava na missa das 18 h, vestida com chale, de sapatos e meias, terço na mão e em oração sem muita conversa. Todos admiravam a sua postura, em especial os padres Virgílio e Mateus. Alguns até a ouviam dizer em suas preces: “Que Deus os perdoe pela maldade!”
Infelizmente, a miséria, bateu friamente a sua porta.
Não se quedou! Travestida de um pretérito imperfeito, com rugas e olhos caídos, vestido preto, corcunda, descalça, levando um saco nas costas e um cajado nas mãos, foi ser catadora de lixo!
Em suas andanças pela cidade fez amigos. Aliás, muitos amigos. De todos os seus admiradores, um italiano escultor de nome Carlo Crepaz, chegou a fazer várias esculturas de Domingas pelo encanto de sua pessoa.
Nos anos 70, o relógio da vida parou e adormeceu para sempre o corpo cansado de Domingas no Bairro de Santo Antonio.
Não foi esquecida! Passou para a posteridade!
Uma estátua feita pelo escultor a fez voltar ao lado do morro do Palácio. Desde vez, feita de bronze frio.
No Carnaval de 1986, a Escola de Samba, Pega no Samba, escreveu no enredo uma linha a Domingas: - “Domingas, a catadora de papel
Hoje tem na escadaria, sua estátua que está vendo lá do céu.”
Hoje...hoje continua lá ao lado do Palácio esquecida pelo tempo. Nem uma placa e muito menos uma biografia.
Em seu “inventário”, há uma lista não de bens materiais! Há uma lista infindável de amigos e pessoas que nunca a esqueceram: Carmen Maria Leitão, Inácia Tristão, Cezar Naime, Nelce Pizzani Rios, José Augusto Loureiro, Idalina Locatelli, Nely Sacapin, Ana Maria Brito, Paulina Garcia, Fabio Trancredi, Roberto Carlos dos Santos, João Luiz, Romildo Raimundo da Silva e muitos outros.


quinta-feira, 2 de maio de 2019

ESCRITORA BRASILEIRA

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora brasileira, conhecida por seu livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada publicado em 1960. Carolina de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil e é considerada uma das mais importantes escritoras do país.
"O livro... me fascina. Eu fui criada no mundo. Sem orientação materna. Mas os livros guiou os meus pensamentos. Evitando os abismos que encontramos na vida. Bendita as horas que passei lendo. Cheguei a conclusão que é o pobre quem deve ler. Porque o livro, é a bussola que ha de orientar o homem no porvir (…)" (Carolina Maria de Jesus)"
“…. Há de existir alguém que lendo o que eu escrevo dirá… isto é mentira! Mas, as misérias são reais.”
Carolina de Jesus


Carolina Maria de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958, enquanto cobria a abertura de um pequeno parque municipal, Carolina foi vista de pé na beira do local gritando “Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!”. Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal. A história de Carolina “eletrizou a cidade” e, em 1960, Quarto de Despejo, foi publicado. A tiragem inicial de 10 mil exemplares se esgotou em uma semana.
Suas obras publicadas são:
  • Quarto de Despejo (1960)
  • Casa de Alvenaria (1961)
  • Pedaços de Fome (1963)
  • Provérbios (1963)
  • Diário de Bitita (1982)
  • Meu Estranho Diário (1996)
  • Antologia Pessoal (1996)
  • Onde Estaes Felicidade (2014)



Carolina Maria de Jesus (1914-1977) foi um a autora brasileira, considerada uma das primeiras e mais destacadas escritoras negras do País.
Ela é autora do livro best seller autobiográfico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”.

A origem de Carolina

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, no interior de Minas Gerais, no dia 14 de março de 1914. Neta de escravos e filha de uma lavadeira analfabeta, Carolina cresceu em uma família com mais sete irmãos.
A jovem recebeu o incentivo e a ajuda de Maria Leite Monteiro de Barros – uma das freguesas de sua mãe – para frequentar a escola. Com sete anos, ingressou no colégio Alan Kardec, onde cursou a primeira e a segunda série do ensino fundamental.
Apesar de pouco tempo na escola, Carolina logo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita.
Em 1924, em busca de oportunidades, sua família mudou-se para Lageado, onde trabalharam como lavradores em uma fazenda. Em 1927, retornaram para Sacramento.

A mudança para São Paulo

Em 1930 a família vai morar em Franca, São Paulo, onde Carolina trabalha como lavradora e, em seguida, como empregada doméstica.
Com 23 anos, perde a sua mãe e vai para a capital onde emprega-se como faxineira na Santa Casa de Franca e, mais tarde, como empregada doméstica.
Em 1948 muda-se para a favela do Canindé. Nos anos seguintes, Carolina foi mãe de três filhos, todos de relacionamentos diferentes.

Carolina e a literatura

Morando em uma favela, durante a noite trabalha como catadora de papel. Lê tudo que recolhe e guarda as revistas que encontra.  Estava sempre escrevendo o seu dia a dia.
Em 1941, sonhando em ser escritora, vai até a redação do jornal Folha da Manhã com um poema que escreveu em louvor a Getúlio Vargas. No dia 24 de fevereiro, o seu poema e a sua foto são publicados no jornal.
Carolina continuou levando regularmente os seus poemas para a redação do jornal. Por esse motivo acabou sendo apelidada de “A Poetisa Negra” e era cada vez mais admirada pelos leitores.
Em 1958, o repórter do jornal Folha da Noite, Audálio Dantas, foi designado para fazer uma reportagem sobre a favela do Canindé e, por acaso, uma das casas visitadas foi a de Carolina Maria de Jesus. 
Carolina  lhe mostrou o seu diário, surpreendendo o repórter. Audálio ficou maravilhado com a história daquela mulher.

A publicação de “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”

No dia 19 de maio de 1958, Audálio publicou parte do texto, que recebeu vários elogios. Em 1959, a revista O Cruzeiro também publica alguns trechos do diário.
Somente em 1960 foi finalmente publicado o livro autobiográfico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, com edição de Audálio Dantas.
Com uma tiragem de dez mil exemplares, só durante a noite de autógrafos foram vendidos 600 livros.

O sucesso de Carolina

Com o sucesso das vendas, Carolina deixa a favela e pouco depois compra uma casa no Alto de Santana.
Recebe homenagem da Academia Paulista de Letras e da Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo.
Em 1961, a autora viaja para a Argentina onde é agraciada com a “Orden Caballero Del Tornillo”.
Nos anos seguintes, Carolina publica:
  • “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961) 
  • “Pedaços da Fome” (1963) 
  • “Provérbios” (1965)

O declínio de Carolina

Apesar de ter um livro transformado em best seller, Carolina não se beneficiou com o sucesso e não demorou muito para voltar à condição de catadora de papel.
Em 1969, mudou-se com os filhos para um sítio no bairro de Parelheiros, em São Paulo, época em que foi praticamente esquecida pelo mercado editorial.
Carolina Maria de Jesus faleceu em São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977.

Carolina Maria de Jesus com Clarice Lispector




Carolina lutou a vida toda para existir em uma sociedade racista e desigual.
Ela é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.
Fonte: @CarolinaMariadeJesusOficial

terça-feira, 30 de abril de 2019

MISTÉRIO

O desaparecimento de uma garota que intriga a Inglaterra há meio século

April Fabb desapareceu em 8 de abril de 1969


É um medo que todo pai tem: o desaparecimento de um filho. E o meio século que se passou desde que April Fabb sumiu, aos 13 anos, não acabou com a dor sentida pelas pessoas com quem ela convivia – nem o terrível fascínio em encontrar uma resposta para o caso que, 50 anos depois, ainda segue pendente.
O Sol estava brilhando quando April subiu em sua bicicleta em 8 de abril de 1969. Era o feriado de Páscoa, e a menina planejava percorrer os 2 km de seu pacato vilarejo de Metton, no condado de Norfolk, no leste da Inglaterra, até a casa de sua irmã. Estava empolgada para entregar um presente de aniversário ao cunhado, um pacote com dez cigarros. Mas ela nunca chegou ao seu destino.
"Para ser bem honesto", diz o relações públicas Michael Cole, que era repórter da BBC à época, "ela sumiu do mapa."

A polícia realizou a maior operação de busca que a região já viu.
Desde seu desaparecimento, policiais visitaram 400 casas, fizeram centenas de entrevistas, coletaram quase 2 mil declarações e passaram diversas horas debruçados sobre o caso, mas nunca chegaram perto de solucioná-lo.

O primeiro sinal de que algo estava errado


A bicicleta de April foi encontrada em um descampado pela polícia
Para pessoas de mais idade, o rosto de April é familiar. Ela era a mais jovem das três filhas de Ernest e Olive Fabb e morava com os pais em Metton – suas irmãs Pamela e Diane já haviam se mudado.
Tímida, ela era adorava animais, especialmente o cão da família, o terrier Trudy. Seus interesses eram típicos de uma adolescente da época: gostava de colecionar selos, bordar...
Nas paredes de seu quarto, havia pôsteres de sua banda favorita, Amen Corner. Eles permaneceriam ali por anos após seu desaparecimento, intocados por seus pais, na esperança de que um dia ela voltasse.
O primeiro sinal de que algo estava errado veio quando a noite caiu na terça-feira, dia 8 de abril, e a adolescente ainda não havia voltado para casa. Às 22h, depois de saber que April não tinha sido vista o dia todo, os pais dela se alarmaram.
Eles ainda não sabiam, mas sua bicicleta havia sido encontrada em um descampado por um motorista que passava por perto e levada para uma delegacia de polícia de Cromer, a cidade vizinha. Essa descoberta acentuou o temor inicial de que April não havia simplesmente fugido.

A maior operação de buscas já realizada em Norfolk

Caso levou a maior operação de buscas já realizada no condado de Norfolk

Na madrugada de 9 de abril, o detetive mais experiente de Norfolk, Reginaldo Lester, foi chamado. Ele imediatamente compreendeu a situação e suspeitou que April deveria ter sido sequestrada. O caso o assombraria até sua morte, 48 anos depois.
A busca liderada por ele foi a maior da história da força policial de Norfolk. No primeiro dia, envolveu 40 policiais e todos os cães farejadores do condado. Moradores do vilarejo ajudaram, um helicóptero sobrevoou a região, parentes distantes foram contatados. Descrições de April, que tinha 1,62 m de altura, cabelos castanhos claros e olhos azuis, foram distribuídas.
Sua família se agarrava à esperança de que sua ausência tivesse uma simples explicação. "Ela é o tipo de garota que se ela visse algumas flores bonitas, ela provavelmente iria colhê-las", disse seu pai.

As primeiras pistas


Mesmo 50 anos depois, ainda surgem supostas pistas sobre o desaparecimento de April Fabb

Na quinta-feira, no segundo dia de buscas, ainda mais pessoas estavam ajudando, desesperadas para encontrar uma garota que a maioria delas conhecia.
Foi um dia em que surgiram algumas pistas, publicou o jornal local Eastern Daily Press na sexta-feira. Um lenço ensanguentado bordado com a letra "A" foi achado. Chegaram relatos de que uma van foi vista andando em alta velocidade por Metton na tarde de terça-feira. Os passageiros de um trem para Norwich se lembraram de ter visto uma adolescente a bordo.
As buscas se intensificaram: lagos foram vasculhados por mergulhadores, cartazes de April foram colocados em estações ferroviárias, e cafés e hotéis foram visitados em busca de alguém que a tivesse visto.
Na sexta-feira, três dias depois de ela sumir, seus pais lhe pediram diretamente pela imprensa para voltar para casa. Eles deixaram a porta de casa destrancada à noite e a luz acesa na varanda.
Com mais informações e relatos de testemunhas, a polícia montou uma linha do tempo.

Os minutos perdidos


April percorria uma pista em meio a um descampado quando sumiu

Quando April deixou Metton para ir à casa de sua irmã Pamela, ela viu dois amigos brincando com um burro no campo de um fazendeiro. Ela parou para acariciá-lo e, então, retomou sua jornada.
A última vez que a garota de 13 anos foi vista foi por um motorista que ia na direção oposta quando ela saía do vilarejo, às 14h06.
Nove minutos depois, a bicicleta de April foi achada em um campo por três trabalhadores da Ordnance Survey, a agência nacional britânica de mapeamento, que estavam passando ao longe. A bicicleta estava jogada em um barranco ao lado da pista em que April pedalava. O que aconteceu nestes poucos minutos é a chave para o destino da adolescente.
Com o passar do tempo, as pistas esfriaram. O lenço ensanguentado havia sido usado por uma mulher para cuidar do joelho machucado de seu filho. Os motoristas apresentaram seus álibis, e a teoria de que ela havia fugido foi descartada. Mesmo assim, como relatou o Eastern Daily Press, alguns ainda suspeitavam de uma fuga e que ela estava com medo de voltar.
Orações foram feitas para a família de April no domingo de manhã, e empresas locais contribuíram com ofertas de recompensas para qualquer pista.
Mas as boas intenções não conseguiam mascarar a falta de progresso nas buscas. Um mês depois de seu desaparecimento, a manchete do jornal local dizia: "Ainda não há notícias de estudante desaparecida".

Depois de 50 anos, o mistério continua

Ficou claro desde o início que April havia sido sequestrada, diz Michael Cole. "Foi um crime horrível, porque, nos 50 anos desde então, não houve nenhuma evidência crível sobre seu paradeiro ou de seus restos mortais. Continua sendo um mistério. E isso é angustiante para sua família e para as pessoas que a conheciam."
Sem progressos e com poucas pistas, a atenção nacional sobre o caso logo diminuiu. Cole mudou de profissão e viajou o mundo, mas diz que a história permaneceu em sua mente. "A comunidade ficou abalada, sem saber o que fazer quanto a isso", disse ele.
"Mas são os pequenos detalhes que partem o coração. Em seu alforje na bicicleta, ainda estavam os dez cigarros para seu cunhado, cinco centavos de libra e um lenço."
A polícia soube de partida que April não havia fugido
Estes objetos permanecem com a polícia de Norfolk – a bicicleta de April foi descartada a pedido de sua mãe anos atrás. Eles estão sob a responsabilidade do detetive aposentado Chê Andy Guy, que cuida dos casos antigos e diz já ter revirado o arquivo sobre April desde 2005.
Ele acredita que April foi sequestrada por um predador que passava por Metton ou por um morador da cidade que, ele admite, "não esteve sob a nossa mira".

Solução do caso pode estar na comunidade local?

Ele ainda espera que a solução do caso possa estar na comunidade local. Existe alguém que age estranhamente em torno do aniversário de April ou na área em que ela foi raptada?
"Eu acho que há algo aí", diz ele. "Não acho que esgotamos totalmente essas investigações em 1969. Quando você olha para o caso hoje, há coisas ainda não esclarecidas."
A polícia hoje pode recorrer a coisas como o reconhecimento automático de placas de carro, imagens de câmeras de segurança e registros de uso de celulares.
"É muito diferente daquela época, quando tudo o que tinham eram as testemunhas", diz ele. "Havia muito poucas linhas de investigação disponíveis."
A crença de que alguém ainda possa apresentar pistas cruciais foi alimentada por novas evidências na última década. Em 2010, a polícia escavou um poço perto de Metton depois o proprietário da terra dizer ter visto ali camadas de polietileno preto na época do desaparecimento de April.
No ano seguinte, chegaram notícias de que um homem havia sido visto cavando um túmulo nas proximidades, no fim de semana da Páscoa, em 1969.
Isso mostra o persistente interesse público no caso: mesmo sendo um dos 59 casos mais antigos de Norfolk, ele ainda gera informações. As teorias são compartilhadas entre as famílias, e os pedidos de ajuda feitos pela policia despertam novas discussões na internet.

Supostas pistas do caso ainda continuam a aparecer

Guy acredita que as características do caso de April fazem com que ele permaneça na mente das pessoas. "Ela era uma menina de uma boa família, que vivia em um local rural idílico. É algo próximo de muita gente", diz ele.
Maurice Morson, agora aposentado há mais de 30 anos, ainda recebe pistas. "Sempre que chega o aniversário do caso, recebo bilhetes por debaixo da porta com informações", diz ele.
"As pessoas desenham mapas, dizem onde ela está, porque alguém teve um sonho sobre isso, conhecem alguém que conhece alguém ou tem uma teoria que acha que não investigamos."
O assassino em série Robert Black foi considerado suspeito, mas nada o ligava ao caso
Um homem apresentado como possível suspeito foi Robert Black, o notório assassino em série escocês que morreu na prisão em 2016 enquanto cumpria pena pelo assassinato de quatro garotas entre 1981 e 1986.
Apesar de uma característica marcante do desaparecimento de April se encaixar com a forma como ele atuava – ele sequestrava suas vítimas na estrada –, a polícia nunca encontrou nenhuma evidência que o ligasse a Norfolk em 1969.
Muitos moradores ainda acreditam que as obras de construção de instalações de gás podem ser o local onde o corpo de April foi deixado, mas a polícia diz ter vasculhado os encanamentos completamente, sem sucesso.

Um memorial para April foi construído em frente à igreja que ela frequentava

Na porta da igreja que April costumava frequentar, fica um memorial para a adolescente. A lápide fica cercada por narcisos na época do seu aniversário, toda primavera.
O pai de April morreu em 1998 e sua mãe, em 2013. Suas irmãs, que ainda moram na área, são informadas de quaisquer novos desdobramentos pela polícia. Morson também permanece em contato com a família.
"April faria 64 anos neste mês. Ela provavelmente seria avó", diz ele. "Descobrir o que aconteceu agora provavelmente causaria uma nova angústia para a família, ao pensar que a mãe e o pai nunca puderam saber disso. Mas o objetivo é chegar à verdade. Será que isso vai acontecer? Não sei."