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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

HIPÁTIA

O mistério da brutal morte de Hipátia, a primeira matemática da História



Esta é a história de um assassinato envolvo em mistério. E o enigma não é quem cometeu o crime, nem como, mas sim por quê. Em meados do primeiro milênio, uma mulher erudita foi despedaçada por uma multidão que usou telhas dos telhados e conchas de ostras para cortar a carne viva do seu corpo.

A vítima havia sido professora, conferencista, filósofa e matemática. E despertou a fúria de fundamentalistas cristãos. Era Hipátia, a primeira mulher matemática de que se tem conhecimento seguro e detalhado
O lugar do crime foi Alexandria, cidade fundada por Alexandre o Grande, em 331 antes de Cristo, e que se converteu rapidamente em um centro de cultura e aprendizado no mundo antigo.


Era "extremamente bonita... ao falar, era articulada e lógica, suas ações eram prudentes e de espírito público... a cidade a acolheu como merecia e outorgou a ela um respeito especial", diz o texto de uma enciclopédia do século 20 sobre Hipátia.

Uma mulher excepcional

Como é comum ocorrer no caso de personagens da Antiguidade, o tempo dissipou muitas informações sobre Hipátia. Mas, diversas fontes históricas garantem que ela existiu.
Como poucas mulheres de sua época, Hipátia pode estudar porque era filha de um homem com formação educacional: Teón de Alexandria, astrônomo e prolífico autor, que editou e comentou obras de pensadores como Euclides.
Segundo o filósofo Damacius, Hipátia ultrapassou em muito o conhecimento do seu pai: "Ela não se contentou com a educação matemática que poderia receber de seu pai. Seu nobre entusiasmo a conduziu a outras fronteiras da filosofia".
Hipátia professava a filosofia do neoplatonismo e ensinava essas ideias com mais ênfase que os seguidores anteriores dessa corrente.
O historiador grego da Antiguidade Sócrates Escolástico concordava que a sabedoria de Hipátia era excepcional, assim como sua habilidade para falar em público: "Obteve tais conhecimentos em literatura e ciência, que sobrepassou muito todos os filósofos de sua época. Explicava os princípios da filosofia aos ouvintes, muitos dos quais vinham de longe para receber sua instrução".
"Frequentemente, aparecia em público na presença dos magistrados. E não se sentia envergonhada de ir a uma assembleia de homens. Pois, devido à sua extraordinária dignidade e virtude, todos os homens a admiravam".

A biblioteca de Alexandria ardeu mais de uma vez, perdendo para sempre materiais que poderiam revelar mais sobre Hipátia.
No século 4, ocorreu uma importante transição no Império Romano: de um Estado totalmente pagão a um Estado misto pagão e cristão.
Isso gerou conflitos. E Alexandria, no Egito, estava no centro dessa disputa. Era um lugar onde pagãos, judeus e cristãos compartilhavam o mesmo espaço.
Foi esse conflito religioso que decidiu o destino de Hipatia. Para entender o final da história, é preciso conhecer outros dois personagens históricos: Orestes e Cirilo.
No século 5, o prefeito imperial de Alexandria era Orestes, um cristão tolerante com outros grupos religiosos. Já o bispo da igreja de Alexandria era o patriarca Cirilo, um homem nada tolerante – uma das primeiras medidas que tomou após assumir o cargo foi fechar à força um grupo cristão que considerava herege.
Os dois acabaram travando uma batalha por Alexandria. E é este o contexto do assassinato de Hipátia.

Uma morte grotesca

Nunca se soube o que exatamente motivou o assassinato de Hipátia.
O que se sabe é que ela era amiga de Orestes. Mas, enquanto ele era um cristão tolerante, Hipátia era uma mulher pagã. Assim, acredita-se que correram rumores de que Hipátia seria uma influência maligna para Orestes, impedindo que ele se convertesse em um "verdadeiro cristão", como era Cirilo.
Fala-se, inclusive, que os conhecimentos astronômicos de Hipátia podem ter acabado agravando ainda mais a situação. Isso porque as observações astronômicas eram fundamentais para se decidir a data da Semana Santa. E, conjectura-se, os cálculos de Hipátia teriam assinalado uma data distinta da que havia sido anunciada por Cirilo, o que pôs a autoridade do bispo em xeque.
Então, conta a História, um grupo de cristãos obstruiu o caminho da carruagem de Hipátia quando ela ia para casa. Ela foi retirada do veículo, arrastada até uma igreja e despida.
Não se sabe se ela foi espancada até a morte ou esfolada viva. Os especialistas acreditam que a segunda hipótese é mais provável. A seguir, esquartejaram seu corpo e o queimaram, em uma simulação grotesca de um sacrifício animal para um deus pagão.
Um fim trágico para uma mulher incrível.
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46501897?ocid=wsportuguese.social.sponsored-post.facebook.SMP%28AEP%29-Hipatia-Brasil.nneed2.interests.mktg&fbclid=IwAR3vKju7V8HQxj3IMleeFPfjrHBJcb262vzgdqb1ylLzjUWxdEPCXxwjpvA 

PS: Hipátia ou Hipácia foi uma neoplatonista grega e filósofa do Egito Romano, a primeira mulher documentada como sendo matemática. Como chefe da escola platônica em Alexandria, também lecionou filosofia e astronomia.

O FILME ÁGORA (Vale conferir) Boas lições para refletir, a intolerância religiosa é uma delas.



https://www.youtube.com/watch?v=OD2VWJ97Fxg 

O filme Ágora se passa em Alexandria, Egito, que, no período de 355 d.C., se encontrava sob domínio do Império Romano. A  história gira em torno de Hipátia, grande filósofa grega e mostra também o cristianismo em seu início, com seus já conflitos com pagãos e a destruição da Biblioteca de Alexandria.

Quantos registros importantes foram queimados pela ignorância humana.
Temos ainda a intolerância das religiões em plena atualidade e isso me espanta, mas acredito que isso não vai acabar nunca, infelizmente.

Um excelente filme...
Giovana Cristina Schneider