quarta-feira, 19 de março de 2025

Política Braço do Sul Marechal Floriano Part.: III / VII


 Histórias de Políticos

Em 1948, teve uma partida de futebol entre  o Marechal Floriano  Futebol Clube e Sport Clube Campinho. Jogo realizado em Marechal. Neste dia o jogo não terminou, foi uma pancadaria total. A briga era mais politica do que futebolística. O açougueiro João Barreto, cabo eleitoral, tinha desavenças com o Dr. Arthur Gerhardt. Aproveitou o ensejo, foi o que mais bateu. Esta briga não foi nada bom para  Marechal. Em 1951, Dr. Arthur ganha a eleição para prefeito, onde nada fez pela vila. José Henrique Pereira era dono do terreno do campo. Amigo íntimo do médico. No dia seguinte da briga, arreou seu cavalo, e foi para Campinho pedir desculpas ao velho amigo. Na volta mandou fechar o campo. Somente em 1956 , que o local voltou ser campo de futebol.

   Arlindo Pereira
 O grande goleiro do antigo Marechal Floriano. Nasceu em 13 de maio de 1922, em Costa Pereira, filho de João Pereira dos Passos e Floripes Nascimento. Esteve naquele famoso jogo  em 1948, contra o Campinho. Relata que a briga começou ente Ricardo Koehler  em um jogador amigo do João  Barreto, que residia na praia do Suá, em Vitória. Entrevista em Marechal Floriano. 20/07/2015.


        Eleição de 1955

Foi eleito Paulo Lorenzoni para prefeito. Não tivemos vereadores eleito. Mas foi no seu mandato que a vila de Marechal Floriano teve grandes obras. Uma delas era o sistema de abastecimento de água. Tínhamos somente uma caixa de pequeno porte, situada num terreno da família Pereira, na atual rua Emílio Endlich. Eram poucas residências que tinham água encanada. Usava-se muito água do rio Braço do Sul e o córrego Batatal. Para beber, a vila tinha inúmeras nascentes, inclusive dentro da vila. O encanamento além de velho, era de pequena polegada. Uma parte do encanamento ficava ao lado do rio. Quando tínhamos enchente, era uma falta d'água tremenda. Na ocasião o bombeiro da prefeitura era José Henrique Pereira ( José Piaba). Vivia dentro do rio consertando cano. Foram colocados canos de maior polegada nas principais ruas. Foi construída uma nova caixa d'água, numa nascente pertencente ao Sr. Waldemar Mees. No final do seu mandato construiu um local para venda de carnes abatidas, situado ao lado da Serraria Santana. Este açougue funcionou até os anos setenta. Na inauguração deste açougue, a prefeitura proporcionou uma grande festa  com  churrasco e bebidas. O primeiro açougueiro deste local foi Ormindo Endlich. TER – ES – Jair Littig. 

                           Eleição de 1958

O prefeito na época era  o  Paulo Lorenzoni. Em três de outubro houve eleição, sendo eleito Francisco Santos Silva (Chiquinho). Marechal  elegeu seu vereador.  José Moreira Bourguignon. Além do Moreira ainda tínhamos Alcino De nadai, o Tato que teve poucos votos. Seu partido era União Democrática Nacional (UDN). Moreira era fiscal de renda. Trabalhou muito pela vila. Construiu uma ponte de cimento no início da rua da igreja. Foi no seu mandato  que houve a implantação de energia e água encanada para a antiga rua do cemitério.  Melhorou a iluminação pública. Além de ter boa  atuação, Moreira era um homem bastante corajoso.  Nos momentos mais difíceis  de segurança na vila, sempre esteve ao lado da justiça. Em 1960 foi o primeiro a construir casa na Vila da orquídeas.  Natural de Guarapari, casado com Apolônia Santa Clara. Acervo Jair Littig.

                           Cabo Eleitoral

Celso Stein, em 1950 com ajuda do patrão alugou  na Vila um pequeno comércio que pertencia a João Kuster. Ao chegar em Marechal percebeu que todos os comerciantes eram antigetulista, inclusive ele.  Mas  quem tinha condições de comprar eram os ferroviários  e empregados do  estado e federal, e esses eram getulistas.  Celso era UDN,  já que seu antigo patrão pertencia a União Democrática Nacional. Foi para o PTB , partido do Getúlio. Seu comércio prosperou contendo uma grande variação de mercadorias.  Na época usava-se muito faixas pintas. Foto de 1958 do seu comércio, ao lado de uma caminhonete  do Helmuthe  Kuster  e seus dois filhos gêmeos Paulo e Mauro. Na frente do  comércio acima das portas tem uma propaganda política da eleição de 1958, do Carlos Lindenberg, que  venceu a eleição para governador, partido do PSD. Acervo Jair Littig. Na imagem abaixo Título de Eleitor que pertenceu a Guilherme Eduardo Littig, mais conhecido como Willy. Acervo Jair Littig.


                           Voto Feminino

As mulheres brasileiras conquistaram o direito de votar em 24 de fevereiro de 1932, por meio do Decreto 21.076, do então presidente Getúlio Vargas. Não podiam ser analfabetas. Somente dois anos depois, em 1934, quando da inauguração de um novo Estado Democrático de Direito, por meio da segunda Constituição da República, esses direitos políticos conferidos às mulheres foram assentados em bases constitucionais. No entanto, a nova Constituição restringiu a votação feminina às mulheres que exerciam função pública remunerada. O voto secreto garantia o livre exercício desse direito pelas mulheres: elas não precisariam prestar contas sobre seu voto aos maridos e pais. No entanto, somente as mulheres que trabalhavam (aquelas que recebiam alguma remuneração) eram obrigadas a votar. Isso só mudou em 1965, com a edição do Código Eleitoral que vigora até os dias de hoje. Em Marechal Floriano podemos destacar Fernandina Gianordoli, nascida em Vitória no dia 18 de outubro de 1917, filho de Ferdinando Gianordoli e Thereza Jantorno. A família Gianordoli chegou no Espírito Santo em 01/02/1879, natural da região do Trento, na época pertencia a Áustria. Criada pela sua tia Vitoria Jantorno, em 1937 formou-se  como normalista na escola  Pedro II. Seus primeiros empregos com professora foi em São Gabriel da Palha de São José dos Calçados. Em 1940 veio para o município de Domingos Martins, em Bom Jesus. Casou com o mecânico hidráulico  Elisiário Ferreira, natural de Cachoeiro do Itapemirim, filho de Augusto e Emília Ferreira. Elisiário faleceu em Costa Pereira em no dia 16 de janeiro de 1948. Em 06 de fevereiro de 1951,  casou no oratório particular  de Gustavo Wernersbach, com Wilson Stein nascido 09 de janeiro de 1932, filho de Antenor e Adelina Maria Salles.  Fernandina veio para a vila de Marechal em 1954, como professora. Segundo informações do seu irmão Orlando, Fernandina participou de manifestos políticos em Vitória. Era uma getulista de coração. Foi uma das primeiras eleitoras da vila de Marechal Floriano. Junto com Emílio Gustavo Hülle, fazia campanha politica. Participou da Primeira Diretoria da Associação Pro- Desenvolvimento Urbano e Rural do Distrito de Marechal Floriano - 1964  como secretaria. Faleceu em 29/08/1997. APEES – Jair Littig.
 
No período de eleição, na vila de Marechal Floriano apareciam políticos de todos os lados. Um deles José parente Frota, um cearense que começou sua vida como chefe de polícia, chegando a deputado federal pelo Espírito Santo. A partir dos anos sessenta  começou a visitar a vila. Seu cabo eleitoral era Emílio Gustavo Hülle. Angariou  algumas verbas para a vila. Em suas passagens políticas, vinha a Marechal sempre com presente, sendo o América Futebol Clube, o mais privilegiado. Era uma bola, um jogo de meio e camisas. Porém havia um detalhe, a cor não combinava com o time. Sempre era verde. Naquela ocasião tudo era muito difícil para os times de futebol, o verde era bem aceito pelos alvirrubros. Acervo Jair Littig. Na foto abaixo Aspirante do América dos anos sessenta, um time imbatível.  Da esquerda para direita em pé;  Hermilo , Deir, Marreco, Ramiro, Tega e  Edvaldo. Agachados Aloísio, José Luis, Pedrinho, José Mococa e José Piaba. A camisa era verde e branca doada pelo Frota. Foto acervo Jair Littig.


Foto de uma procissão  religiosa em Marechal Floriano (1952). No fundo, um antigo barracão pertencente a família Pereira, onde podemos ver propaganda política na parede. UDN ( União Democrática Nacional). Era do Paulo Lorenzoni, amigo e compadre do Coronel José Henrique Pereira. Foto acervo Igreja católica ade Marechal Floriano.


Em 1959 Evhy Mendes, um senhor aposentado vem residir na Vila de Marechal Floriano. Era casado com Adélia Vello, irmã da esposa do Policarpo Puppin. Comprou  a casa do Antenor Braga. Evhy foi comerciante e juiz de paz por muitos anos em Mascarenhas, norte do Espirito Santo.  Evhy certo dia em reunião com seus familiares  onde estavam  Edgard de Carvalho Neves, professor aposentado da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, que era cunhado da esposa,  com seu genro Alfredo Costalonga, advogado do INNS  e o Coronel Ernesto Vieira da Silva, cunhado do Alfredo. Ernesto era aposentado pela policia militar do Espírito Santo. Pessoa de grande influência de vários  governadores. O assunto era  “melhorar o distrito de Marechal Floriano”. Evahy resolveu fazer uma reunião na sua residência para   discutir   uma  Associação em prol de Marechal Floriano. Convocou  pessoas residentes na vila. Em 24 de fevereiro de 1964. foi criada a  Associação Pro- Desenvolvimento Urbano e Rural do Distrito de Marechal Floriano, sendo seu primeiro presidente Emílio Gustavo Hülle.  Acervo Jair Littig. ( Observação.: Evahy Mendes 
Nasc.: 25/12/1889  Falec.: 21/11/1967). 

Eleição de 1960 para Presidente da República

Eu tinha 12 anos, acompanhei meu pai que era uma Janista doente. Foram colocados grandes faixas na entra de Marechal. Jânio Quadro pelo partido União Democrática Nacional, sendo um símbolo a vassoura, prometendo varrer a corrupção no Brasil. Marechal Lott do Partido Social Democrático, sendo o símbolo uma espada. Representava a lei. Ainda tinha o Ademar Barros. Além do meu pai, Antonio Nalesso, Hamilton Linz, Augusto Hülle, todos com Jânio. A eleição aconteceu em outubro.  Em 10 de outubro, Domingos Martins já tinha  o resultado final, Jânio ganhou. Nesta eleição o voto do vice era separado, quem ganhou foi  Milton  Campos, mas João Goulart foi eleito o vice –presidente. Um fato curioso que aconteceu na vila. O 12 de outubro sempre era comemorado com um grande foguetório, dia de Nossa Senhora Aparecida.  Neste dia alguns luteranos janistas também resolveram  soltar foguetes. Perguntaram a eles “ Vocês converteram para o catolicismo?, mas o tiroteio não é para o Jânio?”. Jânio foi um sonho que durou dois anos. Meu pai sentada na mesa do almoço, disse para minha mãe ( não vou mais envolver com política, resposta da mãe, que Deus diga amém). TER-ES Jair Littig.

                     A Volta de João Goulart

Em 07 de setembro de 1961, com a renuncia do Jânio, e de muitas discussões, João Goulart era vice presidente, assumiu a presidência do Brasil. Em Marechal Floriano os ferroviários fizeram festa. Era a volta do afilhado do Getúlio Vargas ao poder. Depois de uma amarga derrota do Partido Social Democrático (PSD), era o momento de comemorar. Tudo aconteceu no novo comércio do Celso Stein. Lá estavam o chefe de turma Benicio Nascimento da Vitória, acompanhado dos mantenedores de linha Pedro Antonio, Antonio José, José Vieira, Manoel falcão, Alexandre Pereira, mais o guarda-chaves Olímpio Penha. Celso bem animado, no seu comércio ainda tinha uma grande foto de Marechal Lott, que concorreu a eleição com Jânio. Era uma euforia com a volta do Goulart, pois todos ainda tinham na  memória o Getúlio, conhecido como “pai dos pobres”. A festa foi regada com uma famosa batida de cachaça com gengibre, que somente Celso sabia fazer, acompanhado de um tira gosto de carne seca. A esquerda foto de 1974, a rua Presidente Kennedy, onde podemos ver o comércio de Celso Stein. Foto: Acervo Jair Littig.

                   Eleição de 1962

Nesta eleição um jovem farmacêutico tem uma expressiva votação na vila de Marechal Floriano. Ary Ribeiro da Silva candidato pela União Democrática Nacional. Ao lado do prefeito Paulo Lorenzoni, que ganhou por um voto, mas contestado pelos perdedores, Joaquim Tesch e seu vice Waldemiro Hülle. Na recontagem Paulo teve u aumento de 11 votos. Ary trabalhou muito pela vila, colocou nomes nas ruas, melhorou o sistema de agua e luz. Em 1964 esteve presente na fundação da Associação Pro – Desenvolvimento Urbano e Rural do Distrito de Marechal Floriano, que foi primeiro passo para criação do município. Naquela ocasião vereador  não era remunerado. Ary com sua lambreta, deslocava para Campinho, quando havia assembleia municipal. Abaixo imagens de recortes dos jornais Diário Carioca  de 15/02/1964 e O Jornal – RJ 01/01/1963 sobre a eleição de 1962.


          Plebiscito de 1963

Aconteceu em 06 de janeiro. O plebiscito era votar  a permanência do presidencialismo ou parlamentarismo. Quem votasse no não, estaria garantido o presidencialismo. Muitos eleitores não tinham conhecimentos  sobre esta votação. Na realidade o sim era enfraquecer o atual presidente, João Goulart. Lembro-me bem a jovem Terezinha Mendes, filha do seu Generoso, mesmo sendo de menor, foi indicada para ser mesária. No final, o não ganhou. No município de Domingos Martins conforme registros do TER/ES, a votação foi expressiva para o não. Com o resultado garantido ao atual presidente da república, os ferroviários de Marechal comemoram  com fogos de artifícios, pois Goulart era afilhado do Getúlio Vargas. TER – ES- Jair Littig. 

                      31 de Março de 1964

Naquela ocasião eu estudava a terceira série ginasial em Campinho. Tinha dezesseis anos. No dia seguinte antes de começar as aulas, o diretor fez uma palestra sobre os acontecimentos no Brasil. Orientou os alunos que não podiam mais fazer reuniões em locais abertos. No colégio haviam vários alunos simpatizantes pelos livros de Karl Marx, outros por Che Guevara. A estes foram orientados a ter cuidados em suas palavras. Em Marechal os ferroviários não ficaram contentes com a derrubado do João Goulart. Quando Castelo Branco faleceu em 18 de julho de 1967, o agente de estação soltou foguetes. Em 1965, surgiu uma nova matéria Educação Moral e Cívica. Um livro com muitas páginas, voltada para defesa do princípio democrático, através da preservação do espírito religioso, da dignidade da pessoa humana e do amor à liberdade com responsabilidade. Na realidade era forma direta contra o comunismo. Falando em comunismo, em 1966 apareceu em Marechal Floriano um jovem, com idioma espanhol. Descobriram que era cubano. Foi um alvoroço. Queriam linchar o homem. Precisou D. Fausta Simões, sair de sua residência, para acalmar as pessoas envolvidas. Veio a polícia e solucionou a caso. Era uma jovem marinheiro mercante de nacionalidade cubana, que desertou do navio, no porto de Vitória.  Jair Littig. Na imagem a esquerda Para a eleição de 1965, haviam dois candidatos de peso, Juscelino e Lacerda. Em Marechal o mais cotado  era o Lacerda. Documento - SIAN – 1964.

    Funcionários antigos  da prefeitura

José Henrique Pereira foi  funcionária nos anos cinquenta, como bombeiro encanador. Já nos anos sessenta Ary Ribeiro quando foi vereador, empregou Waldemar Mees que além de encanador, era ferreiro e mecânico. No período de Joaquim Tesch, João Nalesso era  varredor de rua.

José Henrique Pereira (José Piaba)
 
Nasceu em 21 de Agosto de 1922.Em 13 de dezembro de 1947, casou na capela católica de Marechal Floriano, com Clara Luiza Hülle, nascida em 28 de março de 1923, filha de Emil Oscar e Catharina Schneider. José faleceu em 06 de outubro de 2007, sua esposa em 07 de junho de 1987.
                       
                                   João Nalesso

Nasceu 15/12/1908, em Batatal , filho de imigrante italiano . Cortava cabelo  numa casa que pertenceu ao  José Taquetti. Além de barbeiro, foi funcionário da prefeitura. Faleceu em  23/01/1985.

   
             Waldemar Mees

Filho de George Klippel Joanna Karolina Littig nasceu em 18 de agosto de 1928.Faleceu em 23 de abril de 1975. Em 06 de setembro de 1963, casou com Domicilia Izabel Seith, de 19 anos, filha de José Verônica Schunck. 




                Continua [ ... ]


domingo, 16 de março de 2025

Política Braço do Sul Marechal Floriano Part.: II / VII

 Abaixo Reportagem  de Jornal Estado Espírito Santo de  fevereiro de 1904. Neste  período  briga de Salloker e Schwarz.

    

Voto de favor
Meu tio Emílio contou uma história sobre seu pai Emílio Oscar. “Papai devia um favor a  Maximiliano Salloker. Na eleição de 1912, Salloker mandou uma cartinha dizendo que ele era candidato. Emílio saiu a cavalo de Rio Fundo para votar em Santa Isabel. Antes de colocar a cédula na urna, o fiscal do Salloker, pediu para ver a cédula, anotou o nome do eleitor, em seguida, colocou na urna. APEES. Eleição  de  1912 Salloker prefeito.

 

Voltamos ao Braço do Sul
Era 13 de maio de 1900, um domingo, quando a maior autoridade do Estado do Espirito Santo, José Marcelino Pessoa de Vasconcelos veio a  modesta vila Braço do Sul, para inaugurar a estação ferroviária a Estrada de Ferro Sul Espirito Santo. No registro do Jornal Estado do Espírito Santo de 15/05/1900, não menciona a presença do prefeito da época. Provavelmente o Felippe Endlich  estava na inauguração, porém ele não tinha cargo politico. A vila do Braço do Sul  passou um período longo, fora da política.  Em 1913  Bellarmino Coelho Pinto e seu sócio Aguilar de Freitas, vem residir em Marechal Floriano.  Entre 1913 até  o final de 1916, investiu mais de 200 contos na vila. Construiu comércio, casas de moradias, cinema, igreja, hotel, energia elétrica e ainda tentou emancipar   a vila. Aguilar o sócio do Bellarmino era um grande politico do sul , onde foi prefeito em Castelo e Muniz Freire, como ajudou a emancipar estes municípios. Na visita do presidente da República Nilo Peçanha em 1910, Aguilar coordenou a viagem no Espirito Santo. Tinha boas relações com a família do Jeronimo Monteiro. Talvez isto facilitou a compra ou mesmo ter ganhado. Abaixo Propagandas Diário da Manhã 15/01/1916.



Meu tio Emílio Gustavo Hülle narrou uma história contada pelo seu sogro Vitto Travaglia. “ Em 1916  Salloker estava descontente  com alguns políticos de  Campinho.  Seu amigo Bellarmino Pinto Coelho(*), comerciante na Vila de Marechal Floriano, aproveitou o ensejo e pediu a Salloker para   negociar com  o governador Marcondes Alves de Souza  e o deputado federal   Jerônimo Monteiro,  para criar um novo município”. Na inauguração da capela católica de Marechal  Floriano, teve uma grande festa, com  a participação de políticos da capital.  A festa aconteceu  em 16 de dezembro. Bellarmino  além de comerciante, era político. Seu sócio Aguilar de Freitas , político influente da região Sul do estado. Aguilar  participou da emancipação de Castelo e Muniz  Freire. Voltando a festa da capela, foram  inauguradas;  a rua principal da vila, com o nome de Jerônimo Monteiro, hoje avenida Kennedy, a praça da estação com  nome de Dom  Fernando Monteiro,  irmão do Jerônimo , que  tinha falecido recentemente. Hoje esta praça  é   a José Henrique  Pereira. No  Jornal Diário da Manha de 27/12/1916, saiu uma matéria sobre  este assunto. Ver  ao lado Porém nada deu certo. Na virada do ano, Bellarmino desfez sua sociedade com  Freitas. José Henrique Pereira, negociante de Melgaço  compra  todo o patrimônio  do Bellarmino. A partir de 1917, a vila de Marechal Floriano passa a ter um  novo líder político, Coronel José Henrique Pereira,  nascido em  Melgaço,. Era amigo íntimo  da família Gerhardt, que dominava a política no município de Santa  Izabel. Por fim,  a morte de Salloker , que  comoveu o Palácio Anchieta, inclusive  o deputado Federal Jerônimo Monteiro. (*) Bellarmino era irmão de Gil Pinto Coelho, envolvido no assassinato de  Guilherme Schwarz.


Acima O Jornal Diário da Manhã de 07/01/1917, onde relata de uma reunião em Marechal Floriano, com varias pessoas, afim  de ter um reconhecimento político. Entre os nomes citados, tem pessoas da Vila, Todos Santos e Rio Fundo. No documento não constam nomes de vereadores e do prefeito do antigo município de Santa Isabel. Abaixo da esquerda para direita  Revista Vida Capichaba de janeiro de 1929, relatando a posse do prefeito Paulo Antonio Lorenzoni, sendo seu vice José Henrique Pereira e A vila de Marechal vai voltar ao cenário politico em 1927, quando o Coronel José Henrique é eleito vereador.

 

Na eleição de 1927 elegeu a vereador. Em 1929 elegeu vereador foi presidente da câmara. Neste mesmo ano foi prefeito interino. Foi um político atuante, já em 1929 com a construções  duas pontes, na chegada da vila, doou as madeiras. Em 1921, quando foi  inaugurado a sistema elétrico, doou os postes. 
A parir de 1933 não mais concorreu a cargos políticos, mas foi um cabo eleitoral de peso. Seu preferido foi Paulo Antonio Lorenzoni  que ganhou várias eleições, tanto para prefeito, como deputado. Abaixo recortes de jornais, onde José Henrique Pereira atuou como presidente da câmara. Da esquerda para direita Diário da Manhã 09/07/1930 e Diário da Manhã 10/06/1930.

                                

Local de Votação
Até 1945, o eleitor que residia na vila de Marechal Floriano, para o votar teria que deslocar até o distrito pertencente aquela vila. Em 1935 0 município de Domingos Martins tinha cinco distritos, assim distribuídos: Campinho (sede), Santa Isabel, Araguaia, Sapucaia e São Rafael. A vila de Marechal Floriano pertencia a Santa Isabel. Marechal só foi tornar –se distrito em 1964.  O Jornal Diário da Manhã de 22/01/1921. Refere aos eleitores de Domingos Martins, para votar na eleição de 20 de fevereiro. Na relação  constam somente três moradores da vila de Marechal Floriano que são: Carlos Littig V, Guilhermino Medeiros e José Henrique Pereira.

Eleitores da Vila de Marechal Floriano  em 1921

Carlos Littig V 

Filho de Johann Littig 1º e Margarethe Klippel. Nasceu em 01 de julho de 1878. Casou-se em 14  de maio de 1901, com Anna Hollunder, nascida em 15 de abril de 1880. Era filha de Johann Gottfried Hollunder e Catharine Liebmann. Karl faleceu em 26 de março de 1959., sua esposa  em 14 de maio de 1962. Era agricultor.


                            José Henrique Pereira

 Nasceu em Pedra Branca em 17 de abril de 1876, filhos de José Francisco Pereira e Maria Thereza de Jesus Espindula. Casou-se com Luiza Maria Kumm Pereira, nascida em 28 de janeiro de 1882, filha de Antonio José Pereira e Wilhelmine Kumm.  José Henrique faleceu em 17 de outubro de 1967, sua esposa em17 de outubro de 1966 . Profissão comerciante.
Guilhermino Medeiros
,

Nasceu em Pimenta,  Viana em 02 de fevereiro de 1892, filho de João Francisco Medeiros e Crescencia Maria de Sousa Cabral. Descendente de açorianos que vieram para Viana. Em 27 de novembro de 1920, casou na igreja católica de Santa Isabel, com Euflozina Maria da Conceição, nascida em 01 de janeiro de 1894, filha de Antonio Fernandes dos Reis e Maria Barbosa de Jesus. Guilhermino faleceu em 27 de fevereiro de 1974, sua esposa em  27 de junho de 1974. profissão agricultor.

                   Juvêncio Amaral Sobrinho

Para muitos é um nome desconhecido. Não exerceu cargos políticos em Marechal Floriano, mas foi um cabo eleitoral muito respeitado.  Conforme registros no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), sua chegada em Vitória, foi 1933. Mas há evidências que em 1929, já residia em Marechal Floriano. Amaral nasceu em Baião - Ribadouro - Porto Manso/Porto Manso, Portugal, filho de Antonio Madureira e Adelaide Amaral.Em 24 de dezembro de 1929, casou na capela católica de Marechal Floriano, com Ondina Pereira, filha mais velho do Coronel Jose Henrique Pereira. Abraçou a Campanha eleitoral de Getúlio Vargas. Com a morte trágica de João Pessoa em 1930, um decreto  do  Sr. José Américo de Almeida, onde era  obrigado o retrato do eminente paraibano Presidente João Pessoa, que deverá ser colocado em lugar de destaque nas escolas. No jornais da época, Amaral foi responsável pelos eventos, onde fazia um discurso. Fausta Simões, esposa de Hercílio Pereira, conheceu bem Amaral, foi seu padrinho de casamento  em 1935. Segunda ela, Amaral era um exímio orador. Fez campanha para José Américo, para presidente da república, em 1937, onde participou em Sapucaia como orador, onde estavam os políticos como o prefeito Paulo Antonio Lorenzoni  e os vereadores  João Lübe Sobrinho e Guilherme Mees. Em Laginha tinha a presença do vereador Germano Wernersbach e Antonio Uliana. Foi cabo eleitoral de Paulo Lorenzoni. Em 1940 foi residir no Rio de janeiro, onde faleceu. Foto: Ondina e Amaral, no  Rio de Janeiro.

A esquerda O Jornal Diário da Manhã de 13 de novembro de 1935, tem uma reportagem sobre a Política em Domingos Martins. Quando diretório do partido Socialista Democrático (PSD), partido do Getúlio que na época dominava o pais. Na reportagem menciona os distritos de Campinho, Santa Isabel, Araguaia,  Sapucaia e Pedreiras. Quando se refere ao distrito de Santa Isabel, onde a vila de Marechal pertencia, não vemos nomes de pessoas influenciadas. Nesta década Marechal  não tinha peso politico no município de Domingos Martins.

                   Integralismo

Foi um movimento político de extrema-direita, denominado Ação Integralista Brasileira, de inspiração fascista, fundado em 1932 e extinto em 1937, que foi revivido em 1945 sob a sigla do PRP (Partido de Representação Popular) Fonte: Escola UOL. No município de Domingos Martins foi atuante, onde tivemos um prefeito eleito em 1936 Octaviano Santos e os vereadores Arthur Goulart, José Gegenhauer e João Francisco e Stein.  Nas regiões onde predominavam descendentes de alemães  e italianos, a ideologia foi muito forte. No distrito de Araguaia Jácomo Ronchi foi vereador pelo Partido Social  Democrático, em 1935 foi preso por ser integralista.  A sede dos integralista foi inaugurada em maio de 1933, pelo prefeito Octavianos Santos e Paulo Antonio Lorenzoni, na presença do presidente estadual,  Arnaldo Magalhães. No ensejo da inauguração. desfilaram oitenta camisas verdes, sendo um deles, meu pai Guilherme Eduardo Littig (Willy).  Ainda tivemos Theodoro Schwambach que tirou uma foto dos seu casamento com o uniforme de integralista. Arthur Schneider, João Mario Pitanga. Em Santa Isabel Joanito Campos. Em Sapucaia o professor João Hoffmann. Na vila de Marechal além do meu pai, haviam ainda Zitimo Cardoso e  João Barreto. Até os anos sessenta, dentro de uma gaveta,  ainda tinha a camisa verde, usada pelo meu pai. Com o fim do Integralismo, meu pai filiou-se  a U.D.N. ( União Democrática Nacional). Abaixo Foto de um casamento em Campinho. O noivo com  o uniforme dos  integralista. A pessoa  de roupa branca, era João Maria Pitanga Pinto. A pessoa atrás do noivo, Octaviano Santos. Foto. Casa da Cultura de Campinho- ES.



Final dos anos trinta até 1947, a vila de Marechal Floriano não teve representante político. Na eleição de 1947 Emílio Gustavo Hülle foi eleito vereador. Embora não tenha nascido na Vila de Marechal Floriano, Emil deu sua vida por esta cidade. Mudou-se  para Marechal Floriano em 1928, para trabalhar no comércio do Vitto Travaglia. Mais tarde passou a ser  comerciante de café, até o ano d e1970. Foi vereador no período de 1947 a 1951.Em 20 de janeiro de 1948, como vereador, preocupado com desenvolvimento da Vila de Marechal Floriano, propôs um plano urbanístico para a cidade. Neste mesmo ano consegue verba para construir uma escola. Além de conseguir a verba, doou o terreno.


Acima da esquerda para direita Marechal Floriano – 1950. Podemos ver a escola primário ao lado de uma árvore  (gabiroba). Foto de Emil Gustav Hülle no centro da foto, ao lado do  prefeito Paulo Lorenzoni e Otaviano Santos. Campinho 1948. Abaixo Diploma de Vereador de Emil Gustav Hülle.
 


               Histórias de Políticos

  Moacyr Ubirajara Moreira da Silva
Foi nomeado interventor federal no Espírito Santo pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, em substituição a Aristides Alexandre Campos. Exerceu o cargo de 7 de outubro de 1946 a 29 de março do ano seguinte, quando transmitiu o governo a Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, eleito governador em janeiro de 1947. Entre 26 de novembro e 12 de dezembro de 1946. Médico formado pela faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Foi secretário de Saúde em 1940.Trabalhou no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória  na década de 1930.  Sua esposa  enfermeira Mary Hosana Ubirajara. Em 1954 coma morte da esposa, retornou ao Rio de Janeiro. Moacyr tinha um sitio em Marechal. Comprou da família Kuster. Posteriormente foi vendido para Roberto Saletto, Quando foi interventor mandou   construir o colégio  primário de Marechal Floriano. Foto de 1947 quando interventor esteve em uma festa da igreja católica. Quando vinha a Marechal com seu automóvel Austin, distribuía bala para as meninadas. No seu sitio havia um casal de pavão. Acervo Jair Littig. 


Continua [ ... ]


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Política Braço do Sul Marechal Floriano Part.: I/ VII

 

A história da política na antiga vila do Braço do Sul, mais tarde Vila de Marechal Floriano. Em 1964 distrito, até sua emancipação em 1991. Entre 1893 até outubro de 1991,  tivemos dois prefeitos, poucos vereadores e três presidentes de câmaras. Foram quase cem anos, para que o distrito de Marechal Floriano, chegasse a  município. Na foto a direita,  na estação ferroviária de Marechal Floriano passaram políticos como presidente da república, governadores, senadores e outros mais. Em 1904 o ministro dos transporte  Lauro Müller e o presidente do estado Muniz Freire inspecionaram a Estrada de Ferro. Lauro foi Engenheiro, militar e diplomata, natural de Itajaí/SC. Primeiro Governador republicano de Santa Catarina e Vice-Governador, Deputado Constituinte de 1891, Deputado Federal e Senador representando os catarinenses, final do século XIX e início do XX. Ministro da Indústria, Viação e Obras e Ministro das Relações Exteriores. Foto na estação de Marechal.  Revista o Malho de 1904 – Biblioteca Nacional - RJ. Santa Isabel durante aproximadamente 38 anos esteve vinculada à administração de Viana. O arquivo desse município, como o de muitos outros, não preservou a sua história, daí a razão de se conseguir poucos dados relativos à política e outros de Domingos Martins. Mas, pesquisando aqui e acolá, algum dado foi possível ser resgatado, até a emancipação política de Santa Isabel – Domingos Martins. É o que se apresenta na abordagem sobre este capítulo. No ano de 1884, somente 18 cidadãos de Santa Isabel eram eleitores do 2º distrito de Viana. Nesta relação somente o Ulrico Kuster residia no Braço do Sul. Evidências: Os italemães na terra dos  botocudos – José Eugênio Vieira - Joel Guilherme Velten. 
Relação dos eleitores: 1- Antonio Gomes Pereira, 2- Belarmino José de Couto, 3-  Francisco Kochler, 4- Felippe Victorino Pinto, 5- Ignácio Pereira de Barcellos, 6- Ignácio Salles França Barcellos, 7- João Fritzen (Padre), 8- José Rodrigues Castão, 9-  José Victorino Pinto, 10- Joaquim Pereira de Barcellos , 11-  Mariano Ferreira de Nazareth, 12-  Manoel Avidio de Braga, 13 - Manoel Tavares de Castro Bello, 14-   Nicolau Faller, 15 -  Nicolau Stein, 16-  Pedro Stein, 17 - Ulrico Kuster, 18 - Zeferino Coutinho Ferreira Rogle. 

Primeiro Eleitor da Vila do Braço do Sul.
Johannes Ulrich  Kuster
Nasceu em 17 de janeiro de 1847, na Suíça, em Diepoldsau, Kanton de St. Gallen, filho de  Johan Kuster e Barbara Weder Chegou no Brasil ainda jovem com 16 anos. Foi o primeiro professor da região de Marechal Floriano, Ulrich foi um homem muito culto, tocava violino, gostava de ler, tinha uma boa biblioteca, sendo seu escritor preferido  Shakespeare. Além do alemão, ainda  falava o francês. Aperfeiçoou o português. Um dos documentos mais importante sobre o Ulrich, é a sua   naturalização, outorgado pelo D. Pedro II, e assinado pelo Barão Homem de Melo, datado de 12 de julho de 1881. Em 17 de setembro de 1884  o presidente da província  Dr. José Camillo Ferreira Rabelo nomeia uma comissão com a finalidade de agenciar donativos para serem aplicados em várias obras na Colônia de Santa Isabel. Entre várias pessoas, consta o nome de Ulrich Kuster Exposição Provincial - fevereiro/1889. Foi uma amostra  organizada pela Sociedade  Espírito – Santense de Imigração, com objetivo  de angariar produtos  produzidos no Estado, para serem enviados  à Exposição Universal de Paris.  Na exposição continha  fotos da casa do Ulrich, tirados pelo  seu compadre, o grande fotografo Albert Richard Dietze. Realizou várias viagens a Europa, retornando a sua cidade natal. Em 1886 foi juiz de paz na antiga colônia de Santa Isabel. Faleceu em 26 de março de 1921, sepultado no antigo cemitério de Marechal Floriano.  APEES
Abaixo; Primeiro Eleitor da Vila do Braço do Sul, Johannes Ulrich  Kuster. Jornal A província do Espírito Santo de 25 de maio de 1886, relando que Ulrich já era eleitor. Hemeroteca Digital Biblioteca Nacional - RJ; Relatório do presidente da província do Espirito Santo, José Camillo Ferreira Rabello, datado de 17/09/1884. APEES.

 


Título de Eleitor
O sistema eleitoral daquela época instituiu o emprego do voto censitário. Nessa modalidade de sistema eleitoral, o cidadão só estaria apto a votar caso comprovasse uma renda mínima anual proveniente de empregos, comércio, indústria e propriedade de terras. Em uma sociedade escravista, observamos que a utilização do voto censitário excluía a grande maioria da população. Assim, o voto se transformava em um instrumento de ação política exclusivo das elites. Naquela época, as poucas pessoas consideradas aptas a exercer o voto não escolhiam diretamente os seus representantes. No império, os chamados cidadãos votantes eram divididos entre os eleitores de paróquia e os eleitores de província. Os eleitores de paróquia eram todos aqueles que comprovavam uma renda anual mínima de 100 mil réis para votar nos eleitores de província, que, por sua vez, deveriam comprovar uma renda anual mínima de 200 mil réis para votar nos candidatos a deputado e senador. Ao perceber tal organização, vemos que o nosso processo eleitoral era organizado de forma indireta. Ou seja, os cidadãos eleitores (eleitores de paróquia) elegiam os representantes (eleitores de província) que, por sua vez, escolheriam quem deveria ser eleito para os cargos da Câmara e do Senado. Texto de Rainer Sousa – Mestre em História. Jornal A Província do Espírito  Santo de 28/11/1885, informando aso moradores da antiga Colônia de Santa Isabel, , entre eles, estão Adolpho Kuster, morador do Braço do Sul e Felippe Endlich. Que seus processos foram indeferidos, por não  cumprirem os requisitos obrigatórios.

O jornal A Província do Espirito Santo de 01/11/1895, constando uma matéria sobre revisão eleitoral. No artigo o edital convoca eleitores de santa Izabel , para comparecer na paroquia católica , afim de alistamento eleitoral. No edital constam os nomes de Adolpho Kuster, suíço naturalizado, residente no Braço do Sul e Luiz Klein, alemão naturalizado, residente no Soído. Fonte; Biblioteca Nacional - RJ. Comissão Municipal de Revisão do alistamento eleitoral Federal da Vila de Santa Izabel, em 16 de junho de 1892. (Assinados) Mariano Ferreira de Nazareth Presidente da Comissão, Manoel d’Oliveira e Souza, José Epiphapio dos Reis, Severino Costa da Silveira e João d’Almeida Ferraz. “Copia da revisão do Alistamento Eleitoral Federal procedido pela Comissão Municipal da Villa de Santa Izabel em virtude da lei nº 35, de 26 de janeiro de 1892”. Evidências: Os italemães na terra dos  botocudos – José Eugênio Vieira - Joel Guilherme Velten. Nesta planilha constam eleitores que residiam na Vila do Braço do Sul, hoje Marechal Floriano. Peixe Verde, hoje Bom Jesus. Rio Fundo e Sóido. No registro o nome da região consta Sóido, que abrangia hoje  Boa Esperança, Santa Maria, Soído de Baixo. Além das famílias que residiam ao redor da igreja católica (Santa Úrsula). Nesta planilha não constam familiais que residiam neste local citado acima. Abaixo em vermelho, imigrantes naturalizados brasileiros.



Começo da política na Vila do Braço do Sul
Com a queda do império  os partidos  contrário ganharam força, como Republicano. Em 20/06/1889   na residência de Felippe Endlich no Braço do Sul, onde foi  fundado o Club dos Republicanos. A direita o Jornal  o Cachoeirano de  25/08/1899, dando detalhes da fundação. Afonso Cláudio de Freitas Rosa  foi  o 1º governador da República do Estado do Espírito Santo,  capixaba do município Santa Leopoldina, ficou no cargo entre 21/11/1889 até 09/09/1890.


Robert Wilhelm Schwarz,

Veio da Alemanha, região da Saxônia, distrito de Neuglietzen. Chegou no Espírito Santo em 20 de julho de 1872, no navio CERES. Militar, com patente de major, na época era conhecido como major Guilherme. Tornou-se um grande político, na região de Santa Isabel. Com ideias novas, afim de implantar uma nova forma de governo. Porém foi perseguido e assassinado barbaramente, onde o principal acusado era um político da região. A direita copia de carta, onde Schwarz descreve as mazelas politicas de Santa Isabel. Evidências :Diário Espirito santo 31/12/1889

Foto a direita o primeiro em pé da esquerda para direita é Affonso Claudio. O último em pé Guilherme Schwartz. Guilherme vai se tornar uma político ferrenho no munícipio de Santa Isabel. Evidências Revista Fon – Fon – RJ – 10/11/1917  Abaixo sobrado onde aconteceu a reunião na Vila do Braço do Sul em 20/06/1889. Foto acervo da família Cardoso.
           

 Com a criação do município de Santa Isabel, em 20 de novembro de 1893, realizou-se a primeira eleição para presidente, cargo hoje prefeito. O Jornal  Espírito Santo de 01 de dezembro de 1893, estampou  na sua capa o resultado da primeira eleição do recém-criado município de Santa Isabel, onde Felippe Endlich obteve 153 votos. Ganhou por um voto. Felipe foi um imigrante que chegou na colônia de Santa Isabel em agosto de  1859. Tornou-se um grande comerciante de café. Ficou no poder entre 1893 a 1895. Teve a seu lado o imigrante alemão Karl Emil Otto Trautvetter, que foi seu grande assessor.

Morte de Felippe Endlich

No dia 11 de junho de 1905, partiu do Porto de Vitoria, no navio Asuncion, da empresa Hamburg Südamerikanische sendo o comandante, H. Meyer, sendo o destino Hamburgo, fazendo escalas na Bahia, Lisboa e Leixões. Com Philipp estavam seus  filhos Manoel, José e Clara, João Endlich e Senhora e com os filhos José  e Frederico. Todos  embarcaram em 1ª classe, adquiridos pela empresa de passagem Zizen, Vitória. Seu amigo Jacob Kuster, viajou de 3ª classe. Na volta Felippe faleceu em foi sepultado no mar. A esquerda o Jornal Oficial - ES  de 04 de novembro de 1905, onde o prefeito Maximiliano Salloker convoca eleição para preencher  o cargo de governador ( vereador), pelo falecimento do Philipp Endlich.´Felippe foi eleito em 1904 para governador, hoje vereador. A  partir de 1897 até 1917, o antigo município  de Santa Isabel, a política passou por dias difíceis. Neste período Guilherme Schwarz foi assassinado, na época o responsável, era seu grande inimigo Maximiliano Salloker. Foi julgado em Viana, mas não foi preso. Em 1917 um grupo de pessoas de Campinho, transferiram a prefeitura  de Santa Isabel para Campinho, através de falso plebiscito. Queimaram  documentos.  Neste mesmo ano Salloker foi assassinado; Em 24 de novembro de  1917, na cidade de Vitória, aconteceu  um júri para apurar quem matou Salloker. Francisco Kaniski, foi  único  a depor  e contar detalhes . O que  diz Kaniski.:  “ Eu ouvi dizer que  José Cupertino Figueira Leite , de Afonso Claudio, estava envolvido  no assassinato. Tinha  dado a importância de um conto e quinhentos mil  reis ao assassino Sebastião Roque”. Da direita túmulo  de Salloker- Cemitério católico de Santa Isabel - ES.
 

Um dos períodos mais conturbado, foi quando Arthur Thompson ganhou a eleição de 1897. Abaixo recorte do Jornal Estado do Espírito Santo de 1897, relata acontecimentos na prefeitura de Santa Isabel.

Arthur  Correa de Mattos  Thompson era um nacionalista ferrenho.  Muitos dos imigrantes alemães que naturalizaram brasileiros, não gostavam  de suas atitudes. Houve problemas políticos  e  de ordem social. Como podemos  ver as  matérias do Jornal  Comércio do Espírito Santo de  25 de agosto de 1897 e 10 de outubro de  1897.

    

Registro do livro Os italemães na terra dos  botocudos – José Eugênio Vieira - Joel Guilherme Velten, onde descreve com aconteceu a transferência de prefeitura de Santa Isabel para Campinho.
Os políticos da ala contrária de Campinho, liderados pelos irmãos Germano e Carlos Gerhardt, Dr. Lauro Faria Santos, o português Arnaldo Bastos, tendo em Santa Isabel o apoio de José Pinto (delegado) e de Claro Pitanga (tabelião), pretendiam mudar a sede para Campinho. Acontece que os políticos de Santa Isabel, liderados por Maximiliano Salloker (8º prefeito de 1903 a 1913 e 1914 a 1916), os irmãos Francisco, Agostinho, José Bernardo e o primo destes, Henrique Christ, Aprígio Vieira Gomes (2º suplente de Juiz de Direito), José Pereira da Cruz, Mathias e Antonio Stein, Deolindo Peyneau, os irmãos João e Alfredo Daniel e Roberto Carlos Kautsky, portanto a maioria era contra. A oposição então usou um ardil. Sugeriram que fosse feito um plebiscito e que esse documento fosse enviado ao Governador do Estado. Utilizaram então um caderno de papel almaço, 2 folhas, e prepararam uma legenda só na parte da frente, onde se pedia a permanência da sede em Santa Isabel e onde as pessoas iam assinando. Depois, sumiram com a parte da frente e acrescentaram à segunda parte outra legenda, pedindo a transferência para Campinho e enviaram-na ao Governador para sancionar a transferência. O português Arnaldo Bastos (que diga-se de passagem era cunhado dos Christ) e que tinha um Hotel em Campinho e interesse na transferência, é que serviu de “pombo correio” e se prestou a cumprir um papel considerado sujo e indigno. Em consequência, a sede só retornou a Campinho no Governo de Honório Azevedo, de 16/10/1917 a 26/1/1918. Abaixo, Foto Santa Isabel.  Na indicação vermelha, o prédio que serviu como prefeitura. Neste local  Salloker ,  iniciou sua carreira  política.


       Eleições  no antigo município de Santa Isabel


Acima da Esquerda para direita Recortes do Jornal Commércio do Espírito Santo 05/02/1896 e Jornal Commércio do Espírito Santo 04/02/1896.

 Continua [ ...]


Política Braço do Sul Marechal Floriano Part.: III / VII

 Histórias de Políticos Em 1948, teve uma partida de futebol entre  o Marechal Floriano  Futebol Clube e Sport Clube Campinho. Jogo realizad...