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terça-feira, 1 de abril de 2014

50 ANOS DO GOLPE MILITAR ... Período mais negro da história do País.


Fantasma da ditadura ainda assombram o Brasil 
50 anos após golpe militar, um pesadelo vivo na memória de muitos brasileiros.

Em 31 de março de 1964, militares contrários ao governo de João Goulart (PTB) destituíram o então presidente e assumiram o poder por meio de um golpe. O governo comandado pelas Forças Armadas durou 21 anos e implantou um regime ditatorial. A ditadura restringiu o direito do voto, a participação popular e reprimiu com violência todos os movimentos de oposição. 
Na economia, o governo colocou em prática um projeto desenvolvimentista que produziu resultados bastante contraditórios, já que o país ingressou numa fase de industrialização e crescimento econômico acelerados, sem beneficiar a maioria da população, em particular a classe trabalhadora.



Como um pesadelo que ainda provoca calafrios e aflições e não se dissipa com raios da manhã, o golpe militar de 31 de março de 1964 — que completa 50 anos — ainda está vivíssimo na memória do País como um período de tenebrosas violações da liberdade, dos direitos humanos que deixou milhares de mortos, desaparecidos e torturados e se prolongou por longos 21 anos, até 15 de março de 1985 com a posse do civil José Sarney e a instauração da Nova República.

Um período de excessos que não se curvou até hoje a julgamento histórico de fato. Ainda que existam movimentos concretos de tentativa de apuração dos abusos, nada ainda aconteceu.
Torturadores e militares com as mãos sujas de sangue refestelam-se no sofá da sala quem sabe livres das dores agudas da consciência. Mas é sempre importante lembrar que, apesar do combate desigual, os opositores do regime sequestraram diplomatas, assaltaram bancos, mataram e orquestraram guerrilhas armadas. O País, governado por uma vítima da tortura, não consegue acertar as contas com o seu passado.


O que choca não são as mortes em combate, mas a barbárie pelo lado mais forte do conflito.

Sustentada pelo maior e mais violento aparato de repressão instalado no período republicano, a ditadura usou a barbárie como método de interrogatório e começou a cair quando o mundo tomou conhecimento de que o país do “milagre econômico” – famoso pelo futebol que conquistava mais Copas que qualquer outra nação – torturava e matava nos porões prisioneiros indefesos.
Contrária à tese do “golpe dentro do golpe”, que normalmente trata a ditadura por períodos distintos, a historiadora Heloísa Starling sustenta que a tortura foi usada sistematicamente desde que os militares, apoiados por significativa parcela civil, derrubaram o presidente eleito João Goulart, em 1964 e não a partir de 1968, com a instituição do AI-5.
“A tortura como interrogatório foi adotada em 1964 e segue como um padrão constante até 1968”, afirma Heloísa, autora de um levantamento feito em denúncias que apareceram nos jornais da época. No primeiro ano do golpe foram registrados 148 casos. O número cai nos quatro anos seguintes – 35 registros em 1965, 66 em 1966, 50 em 1967 e 35 em 1968 – para explodir em 1969, com 1027 casos, e nos anos seguintes, até 1974.
Os dados levantados pela historiadora mostram que nos dois primeiros anos do regime militar havia pelo menos 36 centros de detenção e tortura instalados em delegacias, estabelecimentos militares e até em universidades. O Rio de Janeiro é o estado campeão, com 16 centros. No período em que antecedeu o AI-5, Heloísa encontrou registros de técnicas de tortura como afogamentos, choque elétrico, banho chinês, churrasquinho, geladeira, telefone, soro da verdade e pressão psicológica, que seriam ampliadas a partir de 1968. A violência, segundo ela, só foi alargada, mas sua matriz é anterior ao golpe de 1964.

1968 - As atrizes Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell em 1968, durante a passeata dos cem mil, em protesto contra a ditadura militar no Brasil, no Rio de Janeiro


UMA IMAGEM QUE RETRATA A 
DITADURA ...


Transtornados pelos pesadelos, assombrados e deprimidos pelas lembranças dos algozes e da humilhação, muitos outros ex-militantes, mesmo depois que a ditadura terminou, também não aguentaram os traumas e se mataram. É difícil chegar a um consenso sobre o número de suicídios ocorridos depois da Anistia, em 1979, porque muitos casos são atribuídos a morte natural ou acidental, mas certamente passa de uma dezena. Nos centros de detenção e tortura, dezenas de homens e mulheres que figuram numa lista de desaparecidos cujo número varia ente 150 e 180 militantes simplesmente não resistiram e sucumbiram sem vida nas mãos dos torturadores.


50 Anos de um violento acontecimento deste país ...
Não, não há absolutamente nada a comemorar.
Não se tem vencedores, nem vencidos ...
Se tem, muita tristeza para recordar.

GIOVANA CRISTINA SCHNEIDER

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